Uma série de desdobramentos do chamado Caso Master movimentou os mais altos escalões do Judiciário e do Executivo brasileiro nesta semana. No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma análise sobre se a investigação que mira influenciadores e ataques ao Banco Central (BC) deve permanecer sob a alçada da Corte. Paralelamente, críticas vindas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apontaram uma ausência de comunicação entre o BC e o governo federal durante a gestão de Roberto Campos Neto, antecessor do atual presidente da autoridade monetária. Ao mesmo tempo, influenciadores digitais revelaram contatos com o Banco de Brasília (BRB) para tratar do caso nas redes sociais, ampliando o debate público e político sobre o escândalo.
STF avalia papel da PGR e relatoria no inquérito
Na Justiça, o relator do Caso Master no STF, ministro Dias Toffoli, requisitou à PGR que avalie se a investigação referente à atuação de influenciadores digitais deve ficar sob o guarda-chuva da Suprema Corte — uma análise que envolve complexidades jurídicas e a própria definição de competência. O novo inquérito, já autorizado por Toffoli, trata de supostas ações coordenadas de perfis nas redes sociais que teriam atacado o Banco Central e defendido narrativas favoráveis ao Banco Master, após a liquidação da instituição privada pelo BC. A Polícia Federal identificou possíveis indícios de uma atuação orquestrada que teria como fim desqualificar o regulador financeiro e influenciar a opinião pública.
Fazenda critica comunicação na gestão anterior do BC
No plano econômico, Haddad afirmou que “não houve diálogo do BC com o Ministério da Fazenda a não ser a partir da posse do Gabriel Galípolo”, atual presidente da autoridade monetária — em crítica direta à gestão anterior de Campos Neto. Segundo ele, o atual comando do BC percebeu rapidamente a gravidade da situação envolvendo a liquidação do Banco Master e acionou o Ministério Público e a Polícia Federal diante de indícios de fraude, o que não teria ocorrido de forma articulada no período anterior.
A ausência de interlocução institucional teria, na avaliação de Haddad, dificultado a detecção precoce de sinais de risco financeiro e forçado um esforço maior dos órgãos de Estado para esclarecer a extensão das irregularidades. Ele deu ênfase ao papel do atual comando do BC em avançar com a investigação, envolvendo os órgãos competentes para apurar possíveis crimes relacionados às operações do Master e suas consequências para o mercado financeiro.
Influenciadores relatam contatos em nome do BRB
No meio político e digital, influenciadores começaram a divulgar mensagens que teriam sido enviadas por uma agência que presta serviços ao BRB, convidando profissionais de redes sociais para eventos e produções de conteúdo a respeito do Caso Master. Segundo os relatos, os e-mails sugeriam um encontro em São Paulo com o presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, com a justificativa de “mostrar a transparência que o BRB quer passar para seus clientes e para o mercado”. O episódio gerou reações públicas, com criadores de conteúdo questionando a iniciativa e afirmando que a instituição deveria comunicar-se de forma direta e transparente sobre o caso, sem intermediações de influenciadores.
Embora o BRB tenha posteriormente informado que não autorizou oficialmente o envio dos pedidos — atribuindo a ação a uma iniciativa interna da agência —, a divulgação dos contatos intensificou as discussões sobre estratégias de comunicação adotadas em meio à crise.


