O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou à Polícia Federal que a autarquia já tinha ciência, desde março de 2025, de irregularidades nas carteiras da empresa Tirreno vendidas pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). A negociação envolveu R$ 12,2 bilhões e ocorreu meses antes da liquidação da instituição financeira.
De acordo com o depoimento, o Banco Central fez questionamentos formais ao BRB naquele período, demonstrando preocupação com a qualidade dos ativos negociados. Após as indagações, o banco comprador passou a encaminhar relatórios mais detalhados sobre as carteiras adquiridas.
Aquino confirmou que o BC acompanhou o processo de substituição dos ativos depois que o BRB identificou inconsistências e classificou parte da carteira como inexistente. Em junho de 2025, o banco informou ter iniciado diligências para internalizar ativos do balanço do Banco Master como forma de compensação.
Segundo o relato, em julho de 2025, o BRB comunicou oficialmente a incorporação de novos ativos, incluindo crédito consignado, cartões benefício, CRIs, fundos imobiliários, títulos no exterior, ações e cotas, em substituição às carteiras problemáticas.
O Banco Master foi liquidado em novembro de 2025, após a deflagração da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal, que investiga suspeita de fraude na venda das carteiras ao BRB. As investigações seguem em andamento.

