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há 5 meses

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Caso Master: PF nega prejuízo à investigação e relator do STF vira alvo de críticas

Diretor da Polícia Federal diz que perícia foi feita, mas decisões de Toffoli sobre provas e cronograma de depoimentos seguem no centro de um intenso debate jurídico e institucional

Em meio a uma crescente tensão institucional em Brasília, o chamado caso Master — investigação sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master e um esquema bilionário de ativos sem lastro — voltou a gerar polêmica nesta segunda-feira (26). A Polícia Federal afirmou que os peritos da corporação já tiveram acesso ao material apreendido e que a investigação não sofreu prejuízo, apesar de decisões do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Acesso às provas e andamento das diligências

Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da PF, declarou à imprensa que a perícia do conteúdo apreendido na última fase da Operação Compliance Zero já foi iniciada pelos peritos federais. Segundo ele, “a instrução segue regular e não há nenhum prejuízo nesse caso”, referindo-se ao fato de que o trabalho de extração dos dados foi autorizado após um pedido de reconsideração ao STF.

Alems

Originalmente, Toffoli havia determinado que todos os bens, documentos e aparelhos recolhidos ficassem lacrados e sob custódia do Supremo antes de qualquer análise — uma medida incomum que suscitou críticas na corporação. Posteriormente, o ministro reconsiderou e autorizou que o material fosse entregue para perícia, ainda sob supervisão da Procuradoria-Geral da República (PGR), e indicou peritos da PF para acompanhar o procedimento.

As oitivas de oito investigados, que vinham sendo organizadas ao longo de vários dias, também foram reformatadas. Toffoli reduziu o prazo para a PF colher depoimentos de seis para apenas dois dias, e alguns advogados tiveram datas previamente agendadas canceladas, à espera de um novo cronograma.

Defesa de Toffoli em meio às críticas

No epicentro da controvérsia, o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, saiu em defesa de Toffoli, ressaltando que sua atuação “observa os parâmetros do devido processo legal”. Em uma publicação pública, Gilmar afirmou que Toffoli tem “trajetória pública marcada pelo compromisso com a Constituição e com o funcionamento regular das instituições”.

“O ministro Dias Toffoli tem uma trajetória pública marcada pelo compromisso com a Constituição e com o funcionamento regular das instituições… a preservação da independência judicial e o respeito às instâncias institucionais são condições indispensáveis para o diálogo republicano”, escreveu Gilmar em sua defesa.

Essa manifestação ocorre em um momento em que diferentes setores do sistema de justiça e integrantes da PF avaliam a condução do processo por Toffoli. A própria Procuradoria-Geral da República já reconheceu a regularidade da permanência do ministro na relatoria, apoiando que ele permaneça à frente da investigação.

Pressões e críticas nos bastidores

Apesar do respaldo por parte de integrantes da Corte e autoridades como Gilmar Mendes, a atuação de Toffoli continua sendo alvo de críticas nos bastidores. Investigadores ouvidos por meios de comunicação avaliam que a situação chegou a um ponto “considerado insustentável” e com tendência de agravamento, dado o grau de desgaste institucional gerado por decisões que influenciaram diretamente a condução das diligências.

Ministros e observadores políticos estimam que, enquanto Toffoli permanecer no comando da relatoria, o Supremo poderá enfrentar dificuldades em retomar sua imagem de estabilidade jurídica — um cenário descrito como a Corte “continuar sangrando” em meio à crise.

Com o inquérito ainda em fase de coleta de provas e depoimentos, e o debate institucional sobre poderes e limites do STF em curso, o desfecho do caso Master segue como um dos principais pontos de atenção no Judiciário brasileiro.

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