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Internacional

há 5 meses

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Irã enfrenta 14 dias de apagão de internet em meio à violenta repressão a protestos

Corte de acesso à rede segue enquanto estimativas de mortos variam de milhares a dezenas de milhares; organizações de direitos humanos denunciam tentativa de ocultar abusos do regime

O apagão de internet no Irã ultrapassou 14 dias consecutivos, com conexões internacionais severamente restritas e a população majoritariamente isolada da rede global, de acordo com monitoramento da ONG de segurança cibernética NetBlocks. A medida, imposta em 8 de janeiro, ocorre no contexto de uma violenta repressão a protestos que começaram no final de dezembro e rapidamente se tornaram um dos maiores movimentos de contestação ao governo em décadas.

Especialistas e grupos de direitos digitais afirmam que o bloqueio tem como objetivo dificultar a comunicação, impedir a cobertura independente dos eventos e tentar esconder a extensão da repressão violenta por parte das autoridades iranianas.

Alems

Impacto do apagão e formas de contornar restrições

Desde o início do bloqueio, a conectividade internacional permaneceu extremamente baixa, com apenas uma pequena parcela de tráfego permitindo acessos limitados e altamente filtrados a partir de serviços autorizados pelo governo. Alguns usuários relataram conseguir navegar fora do país por meio de “túneis” de dados ou ferramentas de VPN, apesar de não haver detalhes claros sobre quais tecnologias estão sendo utilizadas com sucesso.

O monitoramento de redes indica que o bloqueio não apenas afeta o acesso comum à internet, mas já interrompe significativamente serviços de comunicação por satélite como Starlink, que inicialmente permaneciam parcialmente operacionais antes de serem alvo de interferências técnicas por parte das autoridades iranianas.

Protestos e discrepâncias nas cifras de mortos

O governo iraniano divulgou seu primeiro balanço oficial de vítimas, afirmando que 3.117 pessoas morreram durante a onda de manifestações e confrontos, cifra que inclui civis, membros das forças de segurança e “bystanders” classificados como “inocentes” no contexto religioso local.

No entanto, organizações independentes relatam números substancialmente mais altos. A Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, já confirmou a morte de 5.002 pessoas, incluindo manifestantes, menores de idade, forças de segurança e civis não envolvidos diretamente, e aponta que outros 9.787 casos estão sob investigação.

Grupos de direitos humanos e ativistas baseados no exterior, bem como dados compilados por outras organizações, sugerem que o número real de mortos pode ser ainda maior, atingindo entre 12 mil e 20 mil ou até mais, de acordo com estimativas de especialistas e relatos preliminares de profissionais de saúde no país.

Especialistas também alertam que o apagão de internet dificulta enormemente a verificação independente desses números, limitando o fluxo de informações e impedindo que jornalistas e observadores documentem adequadamente o que está ocorrendo no terreno.

Repressão, censura e respostas internacionais

Organizações de direitos humanos, incluindo Amnesty International, condenaram fortemente a resposta das autoridades iranianas, denunciando uso de força letal, detenções em massa, desaparecimentos forçados e ataques a manifestantes desarmados. A ONG classificou a repressão como um ataque coordenado aos direitos básicos de expressão, reunião pacífica e vida.

Uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU foi realizada para discutir a crise no Irã, com participantes alertando para a possibilidade de crimes contra a humanidade. Enquanto isso, o governo iraniano segue justificando suas ações alegando que os protestos foram fomentados por “terroristas” ou influências estrangeiras hostis.

O bloqueio de internet também alimentou temores de que Teerã esteja construindo uma infraestrutura isolada da web global — uma “internet nacional” rígida e controlada, que poderia se tornar permanente e limitar o acesso irrestrito à informação no país.

Comunicação, censura e efeitos sociais

O impacto do apagão vai além da política — com grande parte da população enfrentando dificuldades para se comunicar com familiares, acessar notícias ou registrar abusos em andamento, o corte de internet tem exacerbado a sensação de medo e desinformação entre cidadãos comuns.

A crise econômica, a desvalorização da moeda e a repressão impiedosa se combinam para criar um ambiente de tensão social profunda, que muitos analistas consideram a maior onda de protestos no Irã desde a revolução de 1979.

Enquanto algumas conexões pontuais à internet surgem aqui e ali através de mecanismos alternativos, a maior parte do país permanece offline ou com acesso severamente controlado — uma estratégia que críticos dizem ser usada para sufocar vozes dissidentes e “enterrar” a dimensão real da violência cometida pelos aparelhos de segurança estatal.

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