O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, reagiu à crescente crise em torno da investigação do Banco Master ao divulgar uma nota pública nesta quinta-feira (22), reafirmando a atuação da Corte e a condução de Dias Toffoli como relator do processo que apura supostas fraudes financeiras. A manifestação de Fachin ocorre no mesmo dia em que o Movimento Brasil Livre (MBL) organizou um protesto em frente à sede do Banco Master em São Paulo, exigindo mais transparência nas apurações e defendendo o afastamento de Toffoli da relatoria.
Fachin destaca autonomia das instituições e exame de irregularidades
Na nota, Fachin defendeu o papel do STF e de Toffoli no processo, sem mencionar diretamente o escândalo do banco, mas ressaltando que a Corte atua dentro dos parâmetros constitucionais. Em sua declaração, ele afirmou que:
“A seu turno, a Corte constitucional brasileira se pauta pela guarda da Constituição, pelo devido processo legal, pelo contraditório, e pela ampla defesa, cumprindo respeitar os campos de atribuições do Ministério Público e da Polícia Federal, porém, atuando na regular supervisão judicial, como vem sendo feito no âmbito dessa Suprema Corte pelo Ministro relator, DIAS TOFFOLI”.
Fachin também frisou que situações com impacto no sistema financeiro exigem respostas legais e que eventuais alegações de vícios ou irregularidades no processo serão analisadas de acordo com os trâmites regimentais e processuais do tribunal.
Ao mesmo tempo, o presidente do STF ressaltou a importância da atuação de órgãos como o Banco Central, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República nas apurações, e garantiu que a Corte não se submeterá a pressões externas.
Protesto do MBL chama atenção para o caso em São Paulo
Na noite de quinta-feira (22), centenas de pessoas convocadas pelo Movimento Brasil Livre (MBL) se reuniram em frente à sede do Banco Master, localizada na Avenida Faria Lima, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. A mobilização buscou chamar atenção para as investigações sobre o banco e a condução do processo judicial no STF, além de pedir o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso.
Durante o ato, os manifestantes carregaram cartazes e entoaram palavras de ordem como “Fora, Dias Toffoli”, “fora Banco Master” e “Vorcaro, cadê a delação?”, em referência ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição e alvo das investigações. Eles também exibiram faixas com críticas à atuação de autoridades e exigiram mais clareza nas decisões judiciais que envolvem o escândalo.
O prédio do banco estava parcialmente cercado por tapumes e coberto por lonas plásticas, impedindo o acesso direto à fachada pelos participantes do protesto.
Segundo líderes do movimento, a manifestação faz parte de uma cobrança por maior transparência institucional e responsabilização dos envolvidos, tanto no Banco Master quanto no âmbito judicial.
Crise institucional em meio ao caso Master
A repercussão em torno do caso Banco Master intensificou-se nos últimos meses após a instituição ser alvo de investigações sobre supostas irregularidades e práticas fraudulentas que teriam provocado prejuízos a investidores e ao sistema financeiro. A condução do processo no STF, especialmente sob a relatoria de Toffoli, tem sido contestada por setores da sociedade e por juristas, que questionam aspectos legais da transferência do inquérito para a Corte.
Com Fachin reafirmando a posição institucional do STF e garantindo que irregularidades processuais serão examinadas, a crise judicial e política segue em evidência, agora com a pressão de protestos que também incorporam demandas de maior transparência e revisão de decisões dentro do caso.


