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Brasil

há 5 meses

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Caso Master: novos capítulos ampliam foco da investigação e defesa do Banco Central

Em meio a investigações da Polícia Federal que atingem dirigentes do Rioprevidência, o Banco Central sai em defesa de seu diretor de fiscalização no contexto do escândalo do Banco Master

As apurações em torno do colapso do Banco Master e a conduta de instituições públicas e privadas envolvidas no episódio ganharam novos contornos nesta sexta-feira (23). Enquanto a Polícia Federal (PF) deflagra uma operação mirando gestores do fundo de pensão Rioprevidência, o Banco Central (BC) divulgou nota em que sustenta a atuação de seu diretor de fiscalização na fase que culminou na remoção de ativos suspeitos dessa instituição financeira.

O caso, que já havia levado à liquidação extrajudicial do Banco Master e à prisão de seu ex-presidente Daniel Vorcaro em novembro de 2025, tem provocado intensos debates sobre supervisão bancária e proteção de recursos públicos e privados aplicados em títulos financeiros emitidos pela instituição que agora está sob investigação criminal e administrativa.

Alems

Operação “Barco de Papel” mira dirigentes do Rioprevidência

Nesta sexta, a Polícia Federal deflagrou a chamada Operação Barco de Papel, cujo objetivo é investigar supostas irregularidades na aplicação de cerca de R$ 970 milhões dos recursos do Rioprevidência – órgão responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos do Rio de Janeiro – em Letras Financeiras do Banco Master.

Agentes estão cumprindo quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados a altos executivos da autarquia, incluindo o presidente Deivis Marcon Antunes e dois ex-diretores de investimentos, em endereços residenciais e na sede do Rioprevidência no centro da capital fluminense.

A investigação, iniciada em novembro de 2025, apura nove operações financeiras realizadas entre 2023 e 2024 que teriam exposto recursos previdenciários a risco “elevado e incompatível com sua finalidade”. Estão sob análise indícios de gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública ao erro e fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva, conforme comunicado da própria PF.

Deivis Marcon Antunes, diretor-presidente da Rioprevidência - Rioprevidência/Divulgação

Banco Central rebate acusações e avalia atuação do diretor

No mesmo dia em que a ação policial ampliou seu foco, o Banco Central respondeu às críticas públicas e negou que seu diretor de fiscalização, Ailton de Aquino Santos, tenha recomendado a compra de ativos suspeitos do Banco Master.

Em nota, a autarquia disse que o diretor não recomendou — em nenhuma fase das investigações — a aquisição de carteiras fraudulentas e que sua atuação se limitou às competências técnicas de fiscalização. Conforme o BC, Aquino “obviamente jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas” e se colocou à disposição das autoridades com documentos e comunicações relevantes.

Essa declaração ocorre em meio a debates mais amplos sobre o papel do Banco Central na supervisão de instituições financeiras e na resposta a práticas irregulares que precipitaram a crise do Master e envolveram recursos de agentes públicos e privados em aplicação de alto risco.

Ailton de Aquino Santos, indicado para a diretoria de Fiscalização do BC, em sabatina na CAEAilton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do BC - Pedro França/Agência Senado

Contexto de um escândalo que continua a se desdobrar

O Banco Master, que chegou a oferecer produtos financeiros com retornos acima da média de mercado, foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central no final de 2025 depois que irregularidades complexas vieram à tona. A crise desencadeou operações policiais, prisões de executivos e bloqueio de bens de envolvidos, e ainda pode levar meses até que promotores e investigadores formem conclusões sobre responsabilidade criminal.

O episódio também suscitou questionamentos de órgãos de controle e da sociedade civil sobre a atuação de reguladores e sobre a gestão de fundos públicos, dada a exposição de recursos previdenciários a riscos que hoje estão no centro de procedimentos penais e administrativos.

À medida que a investigação avança, a articulação entre fiscalização, órgãos de controle e justiça seguirá em foco, enquanto potenciais desdobramentos legais e financeiros impactam não apenas os dirigentes diretamente investigados, mas também a confiança no sistema financeiro e na proteção de investimentos públicos e privados no país.
 

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