O aplicativo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) apresentou instabilidade nesta segunda-feira (19), data marcada pelo início do pagamento das garantias a credores que aplicaram em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master, liquidado pelo Banco Central no fim de 2025.
De acordo com o FGC, o sistema registrou um volume elevado de acessos desde o último sábado (17), quando foi aberto o prazo para solicitação do ressarcimento. Até então, mais de 377 mil pedidos já haviam sido protocolados.
Pagamento será feito em parcela única
Os valores devidos aos investidores serão pagos à vista, em uma única parcela, diretamente em conta de titularidade do credor. Assim, um investidor com cerca de R$ 200 mil aplicados, por exemplo, receberá o montante integral em um único repasse. No caso de pessoas jurídicas, o pedido deve ser feito exclusivamente pelo site oficial do fundo.
Procurado para comentar as falhas registradas nesta segunda-feira, o FGC não respondeu imediatamente.
Segundo a entidade, a instabilidade já vinha sendo observada desde o fim de semana, em razão da grande quantidade de acessos simultâneos ao aplicativo, o que afetou temporariamente a disponibilidade do serviço.
Após a conclusão da solicitação, o crédito deverá ser liberado em até dois dias úteis, informou o fundo.
Números revisados da garantia
Em balanço atualizado, o FGC informou que:
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o total de credores com direito à garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, ficou em torno de 800 mil;
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o valor global a ser pago será de R$ 40,6 bilhões, abaixo da projeção inicial de R$ 41,3 bilhões.
O fundo declarou ainda possuir liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025.
Alerta contra golpes
Diante do início dos pagamentos, o FGC reforçou o alerta para possíveis tentativas de fraude envolvendo o ressarcimento.
O órgão destacou que os únicos canais oficiais de comunicação são o aplicativo do FGC, telefone, e-mail e redes sociais institucionais.
"O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS", informou.
O presidente do fundo, Daniel Lima, também chamou atenção para o risco de golpes.
“Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos", acrescentou Daniel, Lima, do FGC.
Quem tem cobertura do FGC
O Fundo Garantidor de Créditos protege saldos e investimentos de pessoas físicas e jurídicas até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira.
No caso de aplicações, estão cobertos pelo FGC:
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Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e Recibos de Depósito Bancário (RDBs);
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Letras de Crédito Imobiliário (LCIs);
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Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
A indenização considera o valor investido acrescido dos rendimentos até a data da liquidação, respeitado o teto de cobertura.
Exemplo: um investidor com R$ 180 mil aplicados e R$ 100 mil em rendimentos acumulados terá direito a até R$ 250 mil. O valor excedente deverá ser reivindicado no processo de liquidação conduzido pelo Banco Central.
Investimentos sem garantia
Não são protegidos pelo FGC os recursos aplicados em:
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debêntures;
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Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs);
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Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs);
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fundos de investimento;
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títulos fora do sistema de garantia.
Nesses casos, não há pagamento automático, e os valores entram na fila da liquidação, dependendo da disponibilidade de recursos após o cumprimento das obrigações prioritárias.
Liquidação do Banco Master
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, teve a liquidação decretada pelo Banco Central em 18 de dezembro de 2025. A instituição já enfrentava dificuldades financeiras, atribuídas ao alto custo de captação e à exposição a operações consideradas de risco, com taxas muito superiores à média do mercado.
Tentativas de venda, como a negociação com o Banco de Brasília (BRB), não avançaram. As tratativas foram interrompidas após questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao banco em investigações.
O alerta no mercado se intensificou quando o Master passou a ofertar produtos com rendimentos acima do padrão, especialmente os CDBs que concentraram grande parte dos recursos de investidores agora atendidos pelo FGC.


