Um incêndio de grandes proporções durante uma festa de Ano Novo no bar Le Constellation, localizado na estação de esqui de Crans-Montana, no sul da Suíça, provocou uma das maiores tragédias recentes do país. Segundo autoridades suíças, ao menos 40 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas, muitas em estado grave, após o fogo se espalhar rapidamente pelo estabelecimento na madrugada de 1º de janeiro.
O incêndio começou por volta das 1h30 no horário local, quando o bar — situado dentro de um resort alpino frequentado por turistas de várias nacionalidades — estava lotado. Testemunhas relataram pânico generalizado, fumaça densa e dificuldades de fuga, especialmente devido às rotas estreitas do local e à rápida propagação das chamas.
Investigação aponta possível uso de velas pirotécnicas
As autoridades trabalham com a hipótese de que o fogo tenha sido iniciado por velas pirotécnicas presas a garrafas de champanhe, prática comum em festas, mas potencialmente perigosa em ambientes fechados. Imagens divulgadas após o incêndio mostram pessoas segurando garrafas com velas acesas próximas ao teto, que teria revestimento inflamável.
A polícia suíça informou que não há indícios de ataque terrorista, e que a investigação se concentra em possíveis falhas de segurança, materiais de construção e cumprimento das normas contra incêndio. A promotoria do cantão de Valais conduz os trabalhos periciais.
Vítimas de várias nacionalidades e identificação complexa
Entre as vítimas confirmadas está o jovem golfista italiano Emanuele Galeppini, de 17 anos, cuja morte foi anunciada pela Federação Italiana de Golfe. Segundo autoridades, há feridos e desaparecidos de diversas nacionalidades, incluindo suíços, italianos, franceses e australianos. O processo de identificação dos corpos deve levar vários dias, devido à gravidade das lesões.
Consulados de diferentes países acompanham o caso. O Consulado do Brasil em Genebra informou que, até o momento, não há registro de brasileiros entre as vítimas.
Operação de resgate mobilizou grande aparato
A resposta de emergência envolveu um amplo contingente: mais de 150 socorristas, dezenas de ambulâncias, caminhões de resgate e 13 helicópteros, que atuaram no transporte de feridos para hospitais especializados, inclusive fora do cantão. Apesar da rapidez no atendimento, a velocidade com que o fogo se alastrou impediu que o número de vítimas fosse menor.
O presidente da Suíça, Guy Parmelin, lamentou o ocorrido e classificou o episódio como uma tragédia nacional. Em pronunciamento oficial, afirmou:
“Estamos diante de uma das piores tragédias da nossa história recente. O país inteiro está de luto, e nossa prioridade absoluta é apoiar as vítimas, seus familiares e esclarecer todas as circunstâncias deste incêndio.”
O governo decretou luto oficial, com bandeiras a meio mastro em prédios públicos.
Impacto e debate sobre segurança
Crans-Montana é um dos destinos mais conhecidos dos Alpes suíços, especialmente durante o inverno europeu. A tragédia reacendeu o debate sobre segurança em eventos lotados, uso de pirotecnia em ambientes fechados e fiscalização de estabelecimentos antigos, como o bar, que funcionava há mais de quatro décadas e tinha capacidade para cerca de 300 pessoas.
Outros incidentes na virada do ano na Europa
Além da tragédia na Suíça, a virada do ano foi marcada por outros episódios graves relacionados ao uso de fogos de artifício na Europa. Na Alemanha, ao menos dois adolescentes morreram e outras mortes ligadas a incêndios estão sob investigação. Somente em Berlim, mais de 400 pessoas foram detidas por uso ilegal de fogos e confrontos com a polícia.
Na Holanda, autoridades também registraram ocorrências fatais e dezenas de feridos durante as celebrações, o que reforçou, em diferentes países europeus, a discussão sobre restrições mais severas ao uso de pirotecnia privada em festas de Réveillon.


