A Prefeitura de Campo Grande informou que realizou, nos últimos dias, uma ampla aquisição de medicamentos com o objetivo de regularizar o abastecimento nas unidades da rede municipal de saúde. A iniciativa atende a exigências feitas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que chegou a sinalizar a possibilidade de recorrer à Justiça para pedir a intervenção do Estado diante das falhas no sistema de saúde da Capital.
Segundo a administração municipal, a compra foi feita por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e envolve aproximadamente 32 milhões de unidades de medicamentos, entre comprimidos, ampolas e frascos. A previsão é de que os produtos comecem a ser entregues nos próximos dias, garantindo o atendimento à população.
Em nota, a prefeitura afirmou que o processo de regularização do estoque está em fase final e que os fornecedores já iniciaram as entregas, com expectativa de alcançar cerca de 90% de cobertura. A gestão informou ainda que, após a conclusão de etapas administrativas, licitatórias, orçamentárias e financeiras, foram emitidos aproximadamente 60 empenhos para a aquisição de medicamentos.
De acordo com o Executivo municipal, o monitoramento dos estoques é contínuo, com adoção de medidas para evitar novos desabastecimentos, como a aceleração de processos licitatórios, a reprogramação de itens que não tiveram êxito em licitações anteriores e a fiscalização dos prazos de entrega por parte das empresas contratadas.
A manifestação da prefeitura ocorreu após a divulgação de que o MPMS avaliava a possibilidade de pedir judicialmente a intervenção do Estado na saúde pública do município. O órgão apontava problemas recorrentes, como a falta de medicamentos básicos, escassez de vagas e demora no atendimento à população.
Em dezembro de 2025, o procurador-geral de Justiça, Romão Avila Milhan Júnior, declarou que a medida extrema poderia ser adotada caso não houvesse solução para os problemas identificados pelas promotorias da área da saúde. Segundo ele, a prioridade era buscar alternativas consensuais entre o Ministério Público, a prefeitura e o governo estadual, mas a intervenção não estava descartada.
“Nós recebemos representações que tratam da possibilidade de intervenção do Estado na saúde do Município de Campo Grande. Isso está sendo discutido, e o próprio Município busca evitar que se chegue a essa medida, que depende de decisão do Tribunal de Justiça. A prioridade é encontrar soluções consensuais, porque judicializar não resolve o problema por si só”, afirmou o procurador-geral na ocasião.
Mudança na gestão da Saúde
Outro ponto atendido pela prefeitura foi a nomeação de um novo secretário municipal de Saúde. No fim de dezembro, a prefeita Adriane Lopes anunciou Marcelo Luiz Brandão Vilela para comandar a Sesau, encerrando o período em que a pasta era administrada por um comitê gestor.
Desde setembro do ano passado, a secretaria estava sob gestão colegiada, criada após a exoneração da então secretária Rosana Leite, em meio a críticas sobre a qualidade dos serviços prestados. O comitê tinha a missão de promover uma reestruturação emergencial do sistema e implementar ajustes administrativos.
Marcelo Vilela já ocupou o cargo de secretário municipal de Saúde entre 2017 e 2019 e possui experiência em direção hospitalar e coordenação de programas de residência médica. A prefeitura afirma que a nomeação faz parte do processo de reorganização e fortalecimento da saúde pública municipal, com ações estruturantes em andamento.


