O vice-líder do PL na Câmara dos Deputados, Sanderson (PL), protocolou nesta terça-feira (31) uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) solicitando a apuração da conduta do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido foi encaminhado ao corregedor-nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, e tem como base reportagens que apontam supostas interações do magistrado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Segundo o documento apresentado pelo parlamentar, Moraes teria mantido contatos telefônicos e ao menos uma reunião presencial com Galípolo para tratar da possível venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), operação que dependia de autorização dos órgãos reguladores.
A representação sustenta que técnicos do Banco Central consideraram as interações “atípicas e incomuns”, o que teria levado a direção da autarquia a registrar formalmente todas as comunicações, como forma de preservar a autonomia técnica da instituição.
O deputado também menciona que o escritório Barci de Moraes Associados, pertencente à esposa do ministro, mantinha contrato de prestação de serviços com o Banco Master. Na avaliação de Sanderson, a ausência de registros formais de pedidos ou audiências protocoladas junto ao Banco Central ou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) levanta a hipótese de uma eventual atuação informal.
O texto ainda relembra que o Banco Central identificou fraudes estimadas em cerca de R$ 12,2 bilhões no Banco Master, o que resultou na decretação de liquidação extrajudicial da instituição e na prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro.
Ao final, o parlamentar solicita que o CNJ realize uma apuração independente para verificar possíveis violações aos deveres funcionais do magistrado, especialmente quanto à imparcialidade, prudência e reserva exigidas do cargo.


