Aos 58 anos, o japonês Kazuyoshi “King Kazu” Miura se prepara para iniciar sua 41ª temporada como jogador profissional, um feito raro na história do futebol moderno. Sua carreira, marcada pela longevidade e pela itinerância, começou no Brasil e atravessou países e décadas — deixando um legado que ultrapassa gerações de torcedores e jogadores.
Década de 1980 — Formação e Primeiros Passos no Brasil
1982–1986 — Juventus (SP) e entrada no futebol brasileiro
Miura deixou sua cidade natal, Shizuoka, no Japão, ainda adolescente, para tentar a carreira no futebol no Brasil. Aos 15 anos, integrou a base do Juventus, em São Paulo, onde aprimorou fundamentos e imersão na cultura futebolística local.
1986 — Estreia profissional no Santos
Sua estreia como profissional aconteceu em 1986 no Santos — tornando-se um dos primeiros japoneses a atuar no futebol brasileiro e chamando atenção da mídia local.
1986 — Palmeiras e primeiras experiências em São Paulo, capital
Ainda em 1986, Kazu também teve passagem pelo Palmeiras, construindo sua reputação como atacante versátil e ganhando minutos em diferentes contextos táticos.
1987 — Matsubara (PR) e CRB (AL)
No ano seguinte, o japonês passou pelo Matsubara, clube de fortes laços com a colônia japonesa do norte do Paraná, e também pelo CRB, onde conquistou o Campeonato Alagoano — tornando-se o primeiro asiático a vestir a camisa do clube nordestino e chegar a uma conquista regional.
1988 — XV de Jaú e Coritiba
Em 1988, Miura atuou pelo XV de Jaú. Ainda naquele período, contribuiu com Coritiba — conquistando o Campeonato Paranaense em 1989.
Retorno ao Japão e Explosão na J-League
1990–1994 — Yomiuri/Verdy Kawasaki e a J-League
Após sua passagem pelo Brasil, Kazu retornou ao Japão e consolidou-se no futebol local. Jogando pelo Yomiuri, que viria a se tornar Verdy Kawasaki, tornou-se figura central no início da J-League, conquistando títulos nacionais nos primeiros anos da liga profissional japonesa.
Aventuras na Europa e além
1994–1995 — Genoa (Itália)
Miura conquistou espaço na Europa ao assinar com o Genoa, na Itália, tornando-se um dos primeiros japoneses a atuar na primeira divisão italiana.
1999 — Dinamo Zagreb (Croácia)
Em seguida, viveu breve passagem pelo Dinamo Zagreb, na Croácia, ampliando sua experiência internacional e consolidando uma carreira verdadeiramente global.
Século XXI — Longa Permanência no Japão e Novos Desafios
2001–2005 — Vissel Kobe
De volta ao Japão, Kazu defendeu o Vissel Kobe, onde manteve boa forma e importância dentro do elenco por várias temporadas.
2005–2020+ — Yokohama FC e recordes de longevidade
A partir de meados dos anos 2000, Miura passou a atuar por Yokohama FC, clube que se tornaria sua casa por grande parte da segunda metade de sua carreira. Nesse período, ele quebrou diversos recordes de longevidade e passou a ser reconhecido mundialmente como o jogador mais velho em atividade a marcar gols e vestir a camisa de clubes profissionais. Em 2005, emprestado ao Sydney FC, disputou o Mundial de Clubes pelo clube australiano.
Passagens recentes e atualidade
2023–presente — Portugal, Atlético Suzuka e empréstimos
Nos últimos anos, Kazu teve um breve retorno ao futebol europeu, atuando em 2023 pelo UD Oliveirense, na Segunda Liga de Portugal. No ano seguinte, voltou ao Japão e passou a jogar pelo Atlético Suzuka, clube da quarta divisão, muitas vezes atuando em caráter simbólico e esporádico em campo, mas mantendo-se ativo e competitivo.
Seleção Japonesa
Entre 1990 e 2000, Miura foi destaque também pela seleção japonesa, marcando 55 gols em 89 jogos e ajudando a elevar o cenário do futebol nipônico — embora tenha ficado de fora da primeira Copa do Mundo do Japão em 1998.
Um Legado que Ultrapassa Fronteiras
Da Vila Belmiro aos estádios do Japão, Itália, Croácia, Portugal e Austrália, Kazuyoshi Miura construiu uma carreira singular que desafia expectativas de idade e marca um capítulo único na história do futebol mundial — com suas raízes fincadas em solo brasileiro, onde tudo começou.


