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há 6 meses

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Crise na Santa Casa de Campo Grande: atraso no 13º salário leva a paralisação e pressão por sol

Cerca de mil funcionários cruzaram os braços nesta manhã, rejeitaram proposta de parcelamento e cobram pagamento integral do benefício antes do Natal

Na manhã desta segunda-feira (22), cerca de mil trabalhadores da Santa Casa de Campo Grande cruzaram os braços e paralisaram atividades em protesto pelo atraso no pagamento do 13º salário, um direito garantido por lei e condição esperada pelos servidores antes do Natal. O movimento envolve profissionais de diversas áreas da unidade de saúde e evidencia uma crise que vem se acumulando ao longo do ano.

Antecedentes recentes: atrasos salariais e manifestações

A mobilização desta segunda não surgiu de forma isolada. Ao longo de 2025, diversas categorias de trabalhadores da Santa Casa já vinham relatando atrasos recorrentes de pagamentos, incluindo salários mensais que ficaram pendentes por vários meses, especialmente para profissionais contratados como pessoa jurídica (PJ), muitos dos quais chegaram a ficar até cinco meses sem receber honorários.

Alems

Em outubro, médicos protestaram contra o atraso de salários, especialmente em áreas como cirurgia cardíaca, pediatria e anestesia, impactando parcialmente atendimentos eletivos, embora urgências fossem mantidas.

Há também registros de paralisações e protestos anteriores em setembro e outras datas, quando trabalhadores suspenderam atividades para cobrar o pagamento de salários atrasados que atingiam milhares de funcionários.

A crise atual: o 13º salário em jogo

O ponto de ruptura ocorreu no último dia 19 de dezembro, quando a direção da Santa Casa anunciou que não pagaria o 13º salário em dezembro, alegando falta de recursos financeiros e dependência de repasses que estariam atrasados por parte do Governo do Estado.

A proposta apresentada pela administração previa o pagamento do 13º dividido em três parcelas, com datas previstas para 25 de janeiro, 25 de fevereiro e 25 de março de 2026 — uma condição considerada inaceitável pelos trabalhadores, que exigem o pagamento integral antes do Natal.

A mobilização dos trabalhadores

Na manhã desta segunda, cerca de mil profissionais, incluindo enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos, trabalhadores da radiologia, serviços gerais e outras categorias, paralisaram parte dos atendimentos e saíram às ruas em protesto.

Com cartazes, apitos e palavras de ordem como “queremos décimo!”, os manifestantes caminharam pelo entorno do hospital e ocuparam tanto áreas internas quanto externas da unidade.

Apesar da paralisação, a instituição manteve cerca de 70% do efetivo em atividade para evitar desassistência aos pacientes e garantir serviços essenciais, incluindo emergências.

Reivindicações e negociações

Os sindicatos reforçam que o atraso no pagamento do 13º não é um episódio isolado, mas parte de uma sequência de problemas salariais que se arrastam há meses ou anos na Santa Casa.

A categoria aguarda uma reunião com representantes do Governo do Estado na Governadoria, na tentativa de obter uma resposta concreta e compromisso de pagamento antecipado do 13º.

Representantes sindicais afirmam que a proposta de parcelamento é inaceitável e que o pagamento integral do benefício antes do Natal é uma reivindicação central dos profissionais.

Justificativas da direção e dos repasses públicos

A direção da Santa Casa atribui a situação à falta de recursos financeiros e à demora nos repasses de verbas públicas, especialmente por parte do Governo do Estado.

A instituição enfrenta desafios estruturais por ser uma entidade filantrópica que depende majoritariamente de repasses do SUS e convênios públicos para manter a folha de pagamento e custear despesas operacionais.

Esse cenário de dependência e subfinanciamento é recorrente em Santas Casas de todo o país, refletindo a defasagem das tabelas de remuneração do SUS e dificuldades na gestão do financiamento público da saúde.

Impacto sobre os serviços e perspectivas

Enquanto os trabalhadores mantêm a mobilização e aguardam avanços nas negociações, a Santa Casa segue com atendimentos essenciais, mas a continuidade dos atrasos salariais e a insatisfação das equipes levantam preocupações sobre a sustentabilidade dos serviços, especialmente no período de fim de ano.

A expectativa é que o diálogo com o governo estadual resulte em um compromisso formal para a quitação do 13º salário antes do Natal ou com garantias claras de um cronograma de pagamento antecipado.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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