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Transporte

há 6 meses

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Greve mantém ônibus fora de circulação e retorno do serviço só será discutido após audiência no TRT

Motoristas condicionam volta ao trabalho ao pagamento de salários atrasados; prefeitura e consórcio divergem sobre responsabilidade financeira

A circulação de ônibus em Campo Grande deve continuar suspensa até esta terça-feira (16). Os motoristas do transporte coletivo decidiram que qualquer avaliação sobre o retorno das atividades só será feita após a audiência de conciliação marcada para as 15h45, no Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT-24). O encontro reunirá sindicato da categoria, Consórcio Guaicurus e Prefeitura Municipal, em meio a um impasse financeiro que resultou na paralisação total do serviço.

A greve, iniciada nesta segunda-feira (15), ocorre por tempo indeterminado e tem como principal motivo o atraso no pagamento dos salários e benefícios dos trabalhadores. Segundo o sindicato, os profissionais estão há cerca de dez dias sem receber integralmente os vencimentos, o que inviabiliza a retomada das atividades sem uma solução concreta.

Alems

Reivindicações dos motoristas

Entre as cobranças da categoria estão o pagamento integral do salário referente ao quinto dia útil de dezembro — do qual apenas metade foi depositada —, além do adiantamento salarial e da segunda parcela do 13º salário, ambos com vencimento previsto para o dia 20 deste mês. Os motoristas afirmam que só retornarão ao trabalho após a regularização desses valores.

A paralisação deixou terminais fechados em diferentes regiões da cidade e garagens cheias de ônibus parados. Com isso, milhares de usuários precisaram buscar alternativas, como transporte por aplicativo, caronas, táxis ou bicicletas, para se deslocar.

Consórcio aponta falta de recursos

O Consórcio Guaicurus, responsável pela operação do transporte coletivo, afirma que enfrenta dificuldades financeiras para arcar com a folha de pagamento e os custos operacionais. De acordo com a empresa, a situação é consequência da ausência de repasses do poder público referentes a subsídios previstos em contrato.

Em nota, o consórcio informou que há um desequilíbrio econômico-financeiro acumulado desde 2022, quando foi estabelecida uma diferença entre a tarifa paga pelo usuário e a chamada tarifa técnica. Segundo a empresa, essa diferença deveria ser compensada mensalmente pelo município, o que não teria ocorrido.

“O pagamento da complementação salarial, do adiantamento de dezembro e da segunda parcela do 13º está condicionado à regularização desses repasses públicos”, informou o consórcio.

O diretor-presidente da empresa, Themis Oliveira, afirmou que o valor acumulado da suposta dívida chega a R$ 39 milhões.

“A prefeitura decide quanto a população paga e se compromete a cobrir a diferença. Esse cálculo nunca foi concluído na prática, e nós ficamos sem receber desde 2022”, disse.

Ele também mencionou valores em aberto relacionados ao transporte de estudantes e gratuidades.

“Cerca de um terço dos passageiros utiliza gratuidade, e grande parte disso não é ressarcida. Isso compromete toda a estrutura financeira do consórcio”, acrescentou.

Prefeitura contesta dívida

A Prefeitura de Campo Grande nega a existência de qualquer débito com o Consórcio Guaicurus. Representantes da administração municipal afirmaram que todos os pagamentos sob responsabilidade do município estão em dia e que parte deles, inclusive, foi antecipada ao longo do ano.

Segundo a prefeitura, em 2025 foram repassados mais de R$ 35 milhões ao consórcio por meio de subvenções e vale-transporte. A gestão municipal sustenta que a discussão atual se limita à repactuação de um contrato considerado defasado, tema que já está sendo analisado judicialmente.

Integrantes do Executivo também citaram que o município custeia gratuidades previstas em lei e lembraram medidas adotadas ao longo da concessão, como isenções fiscais e alterações operacionais, que teriam beneficiado financeiramente a empresa.

Determinação judicial descumprida

Durante a paralisação, o TRT determinou que ao menos 70% da frota deveria continuar operando, sob pena de multa diária de R$ 20 mil. A decisão, no entanto, não foi cumprida, e todos os motoristas aderiram à greve.

Diante disso, o desembargador federal do Trabalho César Palumbo intimou o sindicato a cumprir a ordem judicial e convocou a audiência de conciliação para esta terça-feira (16). Até que haja uma definição, a cidade segue sem transporte coletivo.

A expectativa é de que o encontro no TRT possibilite um acordo entre as partes e permita a retomada do serviço, que é essencial para a mobilidade urbana na Capital.

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