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Internacional

há 6 meses

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Trump lança visto "Gold Card" e propõe exigir históricos de redes sociais de turistas

Pacote de medidas reforça política migratória mais rígida e cria caminho acelerado porém milionário para quem deseja viver nos EUA

O governo dos Estados Unidos oficializou nesta quarta-feira (10) o “Trump Gold Card”, um novo programa de vistos que promete acelerar a entrada e a residência de estrangeiros no país — mediante pagamentos que podem ultrapassar US$ 1 milhão. No mesmo dia, o presidente Donald Trump anunciou uma proposta para obrigar turistas de diversos países a entregarem seus históricos de redes sociais dos últimos cinco anos antes de cruzarem a fronteira americana. As iniciativas, apesar de distintas, fazem parte de um esforço ampliado da atual administração para reforçar o controle migratório enquanto cria mecanismos de entrada focados em alta capacidade financeira.

Um visto “acelerado” para quem pode pagar milhões

O “Trump Gold Card” foi lançado pelo Departamento de Segurança Interna e oferece um caminho rápido para viver legalmente nos EUA, desde que o candidato arque com valores elevados. O processo começa com uma taxa de US$ 15 mil para acelerar a análise preliminar. Após a aprovação inicial e a verificação de antecedentes, o solicitante deve desembolsar US$ 1 milhão para a emissão do visto.

Alems

Também existe uma versão corporativa: empresas americanas poderão pagar US$ 2 milhões por funcionário para acelerar vistos de profissionais estrangeiros que desejam levar ao país.

Segundo fontes do governo, a medida busca atrair “indivíduos financeiramente confiáveis e empresas comprometidas com o crescimento econômico”. Críticos apontam que o programa transforma o direito de residência em um produto de luxo acessível apenas a milionários.

Trump quer acesso a cinco anos de redes sociais de estrangeiros

No mesmo dia do lançamento do programa de vistos premium, o governo apresentou uma proposta que endurece ainda mais a entrada de turistas comuns. O texto, publicado no Federal Register — diário oficial norte-americano — estabelece que viajantes estrangeiros poderão ser obrigados a fornecer às autoridades todo o histórico de redes sociais dos últimos cinco anos, como parte da triagem para entrada no país.

A medida foi elaborada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), agência ligada ao Departamento de Segurança Interna. Segundo o governo, o objetivo é fortalecer a segurança nacional e identificar riscos antes que alcancem o território americano.

A proposta ainda passará por um período de revisão de até 60 dias, durante o qual cidadãos e organizações podem enviar críticas ou sugestões. Se aprovada, afetará sobretudo turistas de 42 países que hoje não precisam de visto, incluindo nações da Europa Ocidental e países asiáticos como Japão e Coreia do Sul, além de viajantes que utilizam apenas a autorização eletrônica de entrada (ESTA).

Controle mais rígido para uns, acesso facilitado (e caro) para outros

Especialistas apontam que as duas medidas refletem claramente o atual redesenho da política migratória americana. Enquanto turistas comuns enfrentam novas barreiras — agora potencialmente com vigilância digital ampliada e exigências mais rigorosas — pessoas com alto poder econômico recebem uma via rápida para se estabelecer nos EUA, contanto que possam pagar somas milionárias.

Para analistas, isso evidencia uma tendência de “dupla porta de entrada”: mais vigilância e triagem para a maioria, enquanto investidores e profissionais altamente capitalizados recebem tratamento preferencial.

Pesquisadores ouvidos por veículos internacionais entendem que as políticas caminham juntas. Segundo eles, é reforço da mensagem de que os EUA querem controlar com precisão quem entra no país, privilegiando contribuições econômicas e ampliando mecanismos de segurança.
 

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