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Saúde

há 6 meses

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Santa Casa alerta para colapso iminente e diz que pode suspender atendimentos sem apoio do Município

Hospital afirma operar muito acima da capacidade e relata mais de 150 pacientes de urgência aguardando cirurgia, com risco de danos irreversíveis

A Santa Casa de Campo Grande encaminhou um ofício ao Executivo Municipal informando que chegou ao limite de sua capacidade assistencial e que poderá interromper atendimentos caso não haja intervenção imediata do Município. O documento, enviado na última quinta-feira (4), descreve superlotação generalizada e risco concreto de um colapso operacional que afetaria diretamente pacientes de urgência e emergência.

No texto, o hospital destaca que o setor de ortopedia e traumatologia enfrenta uma situação crítica, com mais de 150 pessoas aguardando procedimentos cirúrgicos — entre internados e pacientes regulados pela Central de Urgência. Segundo a instituição, a fila acumulada configura um quadro “de crise assistencial”, incompatível com os protocolos recomendados para tratamento de traumas graves.

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A Santa Casa reforça que a demora nas cirurgias de emergência coloca pacientes em risco de sequelas permanentes, como deformidades, perda de função, amputações que poderiam ser evitadas e até risco aumentado de morte. O hospital afirma que o atraso ultrapassa padrões seguros e compromete diretamente a qualidade da assistência.

O ofício também cita que os repasses financeiros feitos pela Prefeitura de Campo Grande estão abaixo do necessário para custear procedimentos de média e alta complexidade. Essa defasagem, segundo o hospital, gera um desequilíbrio financeiro que impede a manutenção adequada da operação. A instituição destaca que a demanda crescente por atendimentos de trauma chega sem compensação proporcional, deixando a Santa Casa com responsabilidades superiores à sua capacidade de financiamento.

Diante desse cenário, o hospital pede a recomposição imediata do contrato e afirma que a continuidade da crise viola princípios do Sistema Único de Saúde, além de comprometer a segurança dos pacientes. A direção ainda informa que, caso não haja resposta do município, adotará medidas administrativas e legais para evitar o agravamento da situação, dado o risco de “catástrofe assistencial”.

Atualmente, o centro cirúrgico opera em regime de contingência, com salas reorganizadas conforme a gravidade dos casos e limitações especialmente na equipe de anestesia. A Santa Casa lembra que já havia alertado o poder público sobre a possibilidade de colapso há dois meses, quando solicitou apoio adicional para evitar o cenário atual.

A Administração Municipal ainda não se pronunciou sobre o novo ofício. Em comunicados anteriores, a Prefeitura sustentou que os pagamentos contratualizados estavam sendo feitos regularmente. O hospital, porém, insiste que a demanda real supera em muito a capacidade pactuada, gerando riscos éticos, sanitários e jurídicos à população. Uma cópia do documento foi enviada ao Ministério da Saúde.
 

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