Mato Grosso do Sul ocupa a terceira posição nacional no déficit de vagas no sistema prisional, segundo levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo. O Estado apresenta insuficiência de 88,24% nas unidades penais, ficando atrás apenas de Pernambuco e Roraima.
Dados do Mapa Prisional da Agepen, atualizados em 31 de outubro, mostram que o sistema dispõe de 9.571 vagas para uma população de 17.844 detentos. Entre os casos mais críticos está o Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima de Campo Grande, que opera com uma taxa de ocupação de 403% — capacidade para 640 pessoas e 2.580 custodiados.
Outras unidades da capital também apresentam lotação acima do limite. A Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira abriga 618 presos para 603 vagas, enquanto o Centro Penal Agroindustrial da Gameleira reúne mais de 1.510 internos, embora projetado para 960. No presídio feminino Irmã Irma Zorzi, 302 mulheres dividem um espaço destinado a 227.
Procurada, a Agepen informou que executará um plano de ampliação para reduzir a superlotação. Entre as ações previstas estão quatro novos presídios masculinos de regime fechado, que devem criar 1.632 vagas, além de ampliações em andamento que somam outras 322 vagas. Ao todo, 1.954 novas vagas serão abertas.
A agência destaca que o elevado número de prisões ligadas ao tráfico de drogas — crime que responde por 35% da população carcerária — é um dos principais fatores da superlotação. A posição geográfica de Mato Grosso do Sul, fronteiriço com Paraguai e Bolívia e limitado por cinco estados, contribui para o aumento das apreensões e encarceramentos.
A Agepen também ressalta que investe em programas educacionais e atividades laborais para internos, o que coloca o Estado entre os dez melhores indicadores de reinserção por meio do trabalho prisional.


