Quarta, 8 Julho 2026

Anuncie aqui

Campo Grande

18°

Dólar Americano

Carregando...

-

Quarta, 8 Julho 2026

Internacional

há 7 meses

A+ A-

Tiroteio em Jenin reacende críticas a ação de Israel na Cisjordânia

Vídeo mostra palestinos mortos após aparente rendição durante operação militar

Durante uma operação realizada na quinta-feira (27 de novembro de 2025) em Jenin — cidade na Cisjordânia ocupada — duas pessoas identificadas como Youssef Asasa, de 37 anos, e Al-Muntasir Abdullah, de 26 anos, foram mortas por forças israelenses mesmo depois de, aparentemente, se renderem. Imagens que circularam mostram os dois homens saindo de um imóvel com as mãos erguidas e com as camisetas levantadas, gesto normalmente interpretado como sinal de rendição. Em seguida, soldados parecem ordenar que voltem para dentro do prédio, mas, momentos depois, tiros são disparados e ambos caem.

O episódio ocorre em meio a uma série de incursões realizadas recentemente pelas forças israelenses no norte da Cisjordânia, justificadas pelo governo de Israel como operações para capturar militantes suspeitos de participação em ataques armados. Autoridades israelenses afirmaram que os dois homens eram considerados procurados e tinham histórico de envolvimento em violência, incluindo uso de explosivos e disparos contra tropas.

Alems

Disputa sobre o que aconteceu

Enquanto Israel sustenta que o confronto ocorreu após horas de tentativas de rendição, autoridades palestinas, organizações de direitos humanos e especialistas independentes classificam o caso como uma possível execução extrajudicial. Entidades como a B’Tselem e órgãos das Nações Unidas pediram uma investigação independente, alegando que as imagens indicam uma violação clara do direito internacional humanitário.

Segundo o relato oficial das forças israelenses, os disparos teriam ocorrido após a saída dos suspeitos do imóvel, cuja entrada foi destruída por uma escavadeira. O exército afirma que o caso está sob revisão interna.
Por outro lado, testemunhas e repórteres no local narraram que os dois homens estavam desarmados, ajoelhados e com as mãos levantadas, seguindo instruções de rendição. Vídeos que circularam internacionalmente mostram que, mesmo após se submeterem às ordens, foram alvejados.

Reações e contexto mais amplo

A comunidade internacional reagiu rapidamente. A ONU descreveu o episódio como uma “aparente execução sumária” e manifestou preocupação com o aumento das operações militares israelenses na Cisjordânia, que nos últimos anos têm sido marcadas por prisões em massa, confrontos frequentes e número crescente de mortes de palestinos.

A Autoridade Palestina classificou o tiroteio como crime de guerra, afirmando que o tratamento dado aos suspeitos viola normas básicas de proteção a pessoas sob custódia. Já em Israel, o ministro de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, elogiou a ação e afirmou que os militares “agiram como deveria ser”, declaração que gerou indignação entre defensores de direitos humanos.

O caso se insere em um período de agravamento das tensões na região, com Jenin se tornando um dos principais focos de confrontos entre grupos armados palestinos e o exército israelense. Organizações internacionais alertam para um padrão de impunidade e para o aumento do uso de força letal em situações que deveriam ser tratadas com protocolos de detenção.

Veja também