Pesquisadores europeus voltaram a acender o alerta sobre a gripe aviária após a rápida expansão do vírus entre aves e mamíferos. Segundo Marie-Anne Rameix-Welti, responsável pelo Centro de Infecções Respiratórias do Instituto Pasteur, na França, uma eventual adaptação do vírus H5 aos humanos poderia resultar em uma pandemia mais grave do que a vivida durante a Covid-19. Embora casos em pessoas continuem incomuns, o comportamento recente do vírus preocupa autoridades sanitárias.
Expansão do vírus e riscos potenciais
A gripe aviária altamente patogênica levou ao abate de centenas de milhões de aves em vários continentes, causando prejuízos ao setor agropecuário e impacto direto na cadeia global de alimentos. Apesar de episódios isolados em humanos — normalmente relacionados ao contato direto com animais contaminados —, a cientista alerta para o risco de o vírus evoluir e adquirir capacidade de transmissão sustentada entre pessoas.
Rameix-Welti ressalta que, diferentemente dos vírus sazonais H1 e H3, o organismo humano não possui anticorpos naturais contra o subtipo H5. Isso significa que grande parte da população mundial está totalmente suscetível a uma eventual mutação que facilite o contágio entre humanos.
Casos recentes e vigilância internacional
O registro mais recente ocorreu nos Estados Unidos, onde um homem diagnosticado com o vírus H5N5 morreu após complicações de saúde. Autoridades americanas também investigam a circulação do H5N1 em rebanhos de vacas leiteiras, algo incomum e que reforça a necessidade de vigilância.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, quase mil casos humanos de gripe aviária foram notificados entre 2003 e 2025, principalmente em países da Ásia e do norte da África, com taxa de mortalidade próxima de 50%.
Avaliações de risco
Mesmo com os alertas, a OMS e a Organização Mundial de Saúde Animal afirmam que a probabilidade de uma pandemia humana ainda é baixa no cenário atual. O risco existe, mas não há evidências de que o vírus esteja perto de adquirir transmissão eficaz entre pessoas.
Especialistas reforçam que o consumo de carnes e ovos segue seguro desde que os alimentos sejam preparados adequadamente, e que atividades ao ar livre, como visitas a áreas rurais, não representam perigo para a população.
Preparação global e avanços desde a Covid-19
Apesar das preocupações, cientistas destacam que o mundo está mais preparado do que em 2020. O Instituto Pasteur e outros centros de pesquisa já possuem vacinas candidatas desenvolvidas para subtipos de gripe aviária, podendo iniciar produção rapidamente em caso de emergência.
Antivirais específicos — já estocados por diversos países — também poderiam ajudar na contenção inicial de surtos. Para Rameix-Welti, a experiência da pandemia recente fortaleceu protocolos de vigilância, resposta internacional e cooperação entre laboratórios.


