A relação já desgastada entre Estados Unidos e Venezuela voltou a se deteriorar após uma série de movimentos políticos e militares promovidos por Caracas. No domingo (23), o presidente Nicolás Maduro comandou uma marcha cívico-militar em Caracas, empunhando a espada do libertador Simón Bolívar — um gesto de forte carga simbólica na política venezuelana. Diante de milhares de participantes, Maduro pediu “unidade absoluta” diante do que chamou de “ameaças externas”, em referência direta ao governo norte-americano.
O ato ocorreu em meio à crescente pressão internacional sobre Caracas, especialmente após os Estados Unidos reiterarem alertas sobre riscos de segurança no espaço aéreo venezuelano. A recomendação levou companhias aéreas a reduzirem ou suspenderem voos para o país, ampliando tensões com o governo de Maduro.
Ao mesmo tempo, o Executivo venezuelano adotou uma postura mais dura contra as empresas do setor. O Instituto Nacional de Aeronáutica Civil (INAC) emitiu um ultimato de 48 horas para que as companhias retomem as operações no país. Segundo o órgão, aquelas que não reiniciarem suas atividades dentro do prazo terão suas autorizações de voo revogadas.
A medida ocorre enquanto Caracas acusa Washington de tentar “asfixiar economicamente” a Venezuela e de utilizar alertas de segurança aérea como forma de pressão política. Autoridades venezuelanas afirmam que os avisos dos EUA têm caráter “unilateral” e carecem de justificativa técnica robusta.
A escalada acontece em um momento sensível para o governo Maduro, que tenta demonstrar força interna e controle territorial, inclusive com exercícios militares recentes e discursos em defesa da soberania. Em paralelo, Washington mantém uma postura crítica ao processo eleitoral venezuelano e avalia novas sanções, dependendo de como o país conduzirá suas próximas etapas políticas.
Nos bastidores diplomáticos, cresce a percepção de que a relação entre os dois países deve continuar tensa nos próximos meses, especialmente diante do ambiente eleitoral dos dois lados — com a Venezuela se aproximando de sua próxima disputa presidencial e os Estados Unidos entrando na reta final da campanha de 2026.


