A Câmara dos Deputados informou que não recebeu qualquer comunicado sobre a viagem do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) ao exterior e que não autorizou missão oficial fora do país. Segundo a Casa, o parlamentar apenas apresentou atestados médicos referentes aos meses de setembro a dezembro.
A Polícia Federal investiga se Ramagem, condenado pelo STF a 16 anos e um mês por envolvimento em uma trama golpista, deixou o Brasil de forma irregular. Ele estaria em Miami, nos Estados Unidos, o que levou o PSOL a pedir sua prisão imediata por risco de fuga. A defesa do deputado não comentou o caso.
Alexandre Ramagem
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal pelo PL-RJ, integra o chamado “núcleo crucial” identificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento sobre a articulação golpista que envolveu aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Por essa razão, ele estava obrigado a entregar o passaporte e a permanecer no Brasil, assim como os demais investigados do grupo.
A acusação do Ministério Público afirma que, enquanto comandava a Abin no governo Bolsonaro, Ramagem teria criado uma estrutura paralela dentro do órgão para monitorar adversários políticos e produzir informações destinadas a lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral e a segurança das urnas eletrônicas.
Embora faça parte do mesmo núcleo, Ramagem não precisou responder pelos crimes ligados aos atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023, já que a Câmara dos Deputados suspendeu essa parte da ação.


