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Técnico

há 7 meses

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Carlo Ancelotti destaca ligação afetiva com o Brasil e diz estar seguro da escolha pela seleção

Treinador fala sobre cultura brasileira, limitações do futebol moderno e preparação para o Mundial; técnico afirma que relação com o país passa por fé, futebol e polenta

O técnico Carlo Ancelotti, 66, afirmou enxergar no Brasil não apenas um desafio profissional, mas também uma conexão pessoal construída por afinidades culturais e pela acolhida que recebeu no país. Em entrevista concedida ao repórter André Fontenelle, da Folha de S.Paulo, o comandante da seleção brasileira disse estar “convicto” de que tomou a decisão certa ao assumir o cargo, mesmo após uma carreira consolidada na Europa.

Ancelotti, que já coleciona cinco títulos da Champions League como treinador, relembrou que, anos atrás, imaginava um caminho diferente. “Eu dizia que gostaria de treinar a Itália ou uma seleção africana, mas disputar a Copa com o Brasil é uma experiência muito bonita”, comentou.

Alems

Uma ligação construída no cotidiano

O treinador afirmou que descobriu no Brasil elementos que ressoam com suas origens na Itália. Ele mencionou a receptividade do povo brasileiro, a paixão pelo futebol e até a gastronomia como pontos que o aproximaram ainda mais da cultura local.

“A alegria e a capacidade de acolher os estrangeiros me surpreenderam. E achei curioso encontrar a polenta como prato comum aqui — isso faz parte da minha infância”, disse.

Entre Brasil e Canadá — onde vive sua esposa — Ancelotti divide a rotina, mas reforça que sua base de trabalho permanece em solo brasileiro, especialmente com a proximidade da Copa do Mundo.

Comunicação, elenco e o desafio do celular

Conhecido por priorizar o diálogo direto com atletas, o técnico enfatizou que a adaptação ao português é parte essencial para fortalecer o ambiente interno da seleção.

“A língua é fundamental. Na seleção, todos compartilham a mesma cultura, e isso facilita. Mas a tecnologia às vezes atrapalha as relações pessoais. Felizmente, aqui o uso de celular é bem limitado.”

Sobre possíveis restrições durante a Copa, Ancelotti evitou adotar tom rígido.

“Proibir não é uma palavra que eu goste. Prefiro responsabilizar as pessoas.”

Estatísticas, estilo de jogo e influências

Um dos pontos mais comentados da entrevista foi a visão do treinador sobre o uso de dados no futebol moderno. Ele diz considerar as estatísticas úteis, mas apenas como suporte ao que vê em campo.

“As estatísticas servem para confirmar o que os olhos mostram. Posse de bola, por exemplo, nem sempre é interessante.”

O técnico ainda citou influências de sua formação, como Arrigo Sacchi e o sueco Nils Liedholm, a quem atribui grande impacto em sua filosofia.

Construção da lista final e confiança no hexa

Ancelotti afirmou que vem estreitando a relação de nomes observados para a convocação final e que a disputa interna continua aberta. O número de monitorados já não chega aos 60 mencionados meses atrás, mas ainda inclui atletas em avaliação.

Em relação às chances do Brasil no Mundial, o treinador se mostra otimista:

“Temos que pensar que podemos ganhar até que matematicamente não seja mais possível. A equipe tem condições de competir.”

Família no futebol e novos caminhos

O técnico comentou ainda sobre a saída de seu filho, Davide, agora treinador do Botafogo, com quem trabalhou por anos como auxiliar.

“Sinto falta dele, claro, mas era o momento certo para seguir sozinho. Ele tem capacidade e está feliz.”

Raio-X — Carlo Ancelotti

Nascido em Reggiolo, em 1959, Ancelotti teve carreira sólida como meio-campista por Parma, Roma, Milan e pela seleção italiana. Tornou-se um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol mundial e assumiu a seleção brasileira em maio deste ano, com a missão de levar o país novamente ao topo.

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