Uma polêmica envolvendo o uso de legging e cropped como uniforme de trabalho desencadeou uma série de denúncias em um posto de combustíveis no bairro de Afogados, no Recife. A escolha das peças — tradicionalmente associadas ao ambiente esportivo — foi imposta às funcionárias, que relatam ter se sentido expostas e pressionadas a adotar o visual.
A frentista que levou o caso ao Sindicato dos Empregados em Postos de Combustíveis de Pernambuco afirmou ter sido alvo de assédio moral ao recusar o novo padrão. Segundo o sindicato, a funcionária passou semanas sofrendo cobrança para utilizar o conjunto de legging justa e top curto, peças consideradas inadequadas para atividades operacionais e para a dinâmica de atendimento aos clientes.
Além do desconforto com o uniforme, a trabalhadora relatou outras irregularidades e pediu rescisão indireta, alegando quebra de obrigações por parte do empregador. Imagens anexadas ao processo mostram outras funcionárias trabalhando com o visual determinado pela antiga gestão.
A Justiça do Trabalho considerou a prática abusiva e proibiu, por liminar, que o posto — identificado como Posto Power — continue exigindo roupas como legging e cropped das frentistas. A decisão fixa multa diária de R$ 500 em caso de descumprimento.
O Ministério Público do Trabalho também classificou a imposição do uniforme como violação da dignidade das trabalhadoras, apontando que a escolha das peças reforça pressão estética e exposição indevida. Outro posto da região já havia sido alvo de denúncias semelhantes.
A administração atual do Posto Power declarou que o uniforme foi revisto e substituído por calça jeans, afirmando que os episódios ocorreram sob gestão anterior. A distribuidora Petrobahia, bandeira do estabelecimento, reforçou que não adota legging e cropped como padrão e que as imagens não condizem com a realidade atual da unidade.


