Nesta sexta-feira (7), a marinha chinesa deu um importante passo em sua modernização: colocou em serviço o porta-aviões Fujian, o terceiro de sua frota e o primeiro projetado e construído completamente em solo nacional. A cerimônia ocorreu em Sanya, na província de Hainan, com a presença de Xi Jinping e outras altas autoridades militares. O evento simboliza a ambição de Pequim de transformar a marinha do país em uma força capaz de operar globalmente.
Estrutura e inovações
O Fujian (classe Type 003) substitui os dois porta-aviões anteriores da China — Liaoning e Shandong — ambos baseados em modelos russos. Difere deles ao incorporar um convés plano e catapultas eletromagnéticas (EMALS), tecnologia até então restrita à marinha dos Estados Unidos. Essas catapultas permitem lançar aeronaves mais pesadas e com maior carga de combate.
“O Fujian é o primeiro porta-aviões totalmente projetado e construído pela China, equipado com catapultas eletromagnéticas que abrem uma nova era para a aviação naval chinesa”, destacam analistas.
A embarcação desloca entre 80 mil e 85 mil toneladas, acomoda a nova geração de aeronaves chinesas — como o caça furtivo J-35, o avião-rada KJ-600 de alerta aéreo e variantes do J-15 — e deverá operar sob o Comando do Teatro Sul da Marinha chinesa.
Geopolítica e projeção de poder
A cerimônia de comissionamento do Fujian serve como um manifesto: a China busca projetar força além de suas águas costeiras, estendendo-se em direção ao Pacífico Ocidental, ao Estreito de Taiwan e ao Mar do Sul da China.
Segundo o observador Greg Poling, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), “porta-aviões são essenciais para a visão chinesa de um país-grande com marinha de águas azuis”.
Embora trate-se de um avanço significativo, especialistas alertam que o Fujian ainda levará tempo para atingir plena capacidade operacional — a integração com navios de escolta, submarinos e sistemas logísticos continua sendo um desafio.
Contexto e próximas etapas
O Fujian foi construído no estaleiro de Jiangnan, em Xangai, e lançado ao mar em junho de 2022. Seus ensaios em alto mar começaram em maio de 2024 e, após várias provas, o navio foi formalmente comissionado em novembro de 2025.
O próximo passo inclui testes completos de voo e integração ao grupo de batalha, além de exercícios fora da zona costeira chinesa. A China ainda está atrás dos Estados Unidos em número de porta-aviões — os norte-americanos operam 11 —, mas reduz a diferença em termos de tecnologia e capacidade militar.


