A Venezuela anunciou, nesta segunda-feira (27), a suspensão de seu acordo energético com Trinidad e Tobago, após a chegada do contratorpedeiro USS Gravely, da Marinha dos Estados Unidos, ao país caribenho para a realização de exercícios militares conjuntos. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, qualificou a ação como uma "provocação imperialista" e afirmou que Trinidad e Tobago se tornou um "porta-aviões" dos EUA na região.
Suspensão de projetos conjuntos de gás natural
O acordo suspenso incluía projetos de exploração de gás natural, como o desenvolvimento do campo Dragon, situado na fronteira marítima entre os dois países. Esse campo é de interesse estratégico para Trinidad e Tobago, que depende da cooperação com a Venezuela para garantir sua produção de gás natural liquefeito (GNL). A Shell, operadora do projeto, havia retomado as atividades após a obtenção de uma licença especial dos EUA, que, segundo Caracas, violaria as sanções impostas ao país.
Reação do governo de Trinidad e Tobago
O governo de Trinidad e Tobago, liderado pela primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar, defendeu os exercícios militares com os EUA como uma medida necessária para combater o narcotráfico na região e reforçar a segurança interna. Persad-Bissessar minimizou a importância da suspensão do acordo energético, afirmando que a economia do país não depende exclusivamente da colaboração com a Venezuela.
Tensões regionais e implicações geopolíticas
A chegada do USS Gravely a Trinidad e Tobago faz parte de uma série de operações militares dos EUA no Caribe, com o objetivo declarado de combater o tráfico de drogas. No entanto, a Venezuela interpreta essas ações como parte de uma estratégia mais ampla de pressão militar e política, visando desestabilizar o regime de Maduro. Além disso, a presença militar dos EUA na região coincide com o aumento das tensões entre a Venezuela e a Guiana, relacionadas à disputa territorial sobre a região da Guiana Essequiba.
A suspensão do acordo energético representa um ponto de inflexão nas relações entre Venezuela e Trinidad e Tobago, refletindo as complexas dinâmicas geopolíticas e os interesses estratégicos em jogo na região do Caribe.
Ouça o que disse o presidente venezuelano Nicolas Maduro:


