O presidente da Rússia, Vladimir Putin, supervisionou pessoalmente nesta quarta-feira (22) o exercício anual de suas forças estratégicas, conhecido como Grom — palavra que significa “trovão” em russo. A ação ocorre pouco após Putin afirmar que o mundo já vive uma corrida armamentista nuclear e que a Rússia estaria à frente nesse cenário.
O Grom foi programado para coincidir com o fim do exercício anual da Otan, chamado Steadfast Noon, iniciado no dia 13 e previsto para terminar nesta sexta-feira (24). Enquanto a manobra ocidental foca em operações discretas, o Kremlin promoveu um evento midiático, com Putin recebendo relatórios de seu ministro da Defesa, Andrei Belousov, e do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Valeri Gerasimov.
Lançamentos estratégicos
Durante o exercício, a Rússia realizou lançamentos de mísseis intercontinentais Iars a partir do cosmódromo de Plesetsk, no noroeste do país, com trajeto até a península de Kamchatka, cobrindo cerca de 6.700 km. No Mar de Barents, o submarino nuclear Briansk disparou mísseis Sineva, enquanto bombardeiros Tu-95MS lançaram mísseis de cruzeiro Kh-102.
Essas armas são classificadas como estratégicas, com capacidade de destruição em larga escala de cidades e áreas industriais. Além do Grom, a Rússia realiza outras simulações nucleares ao longo do ano, mantendo pronta resposta estratégica contra ameaças externas.
O contraponto da Otan
Na Europa, a Otan realizou o Steadfast Noon, treinamento com armas nucleares táticas, menores e voltadas a conflitos de campo de batalha. Participaram 71 aeronaves de 14 dos 32 países membros, incluindo F-35 americanos equipados com bombas B-61, além de Tornados da Alemanha. Bases na Holanda, Bélgica e Reino Unido foram utilizadas durante o exercício, que envolveu cerca de 2.000 militares e foi apresentado como defensivo.
França e Reino Unido também participaram, operando seus arsenais nucleares de forma independente, sem subordinação direta a Washington, enquanto a Rússia e os EUA concentram quase 90% das ogivas nucleares mundiais.
Mensagem política e estratégica
O exercício russo tem caráter simbólico e político, reforçando a posição de Moscou diante da Otan e sinalizando força frente a países europeus que apoiam a Ucrânia. Especialistas observam que tais manobras buscam demonstrar capacidade de dissuasão nuclear em meio a tensões internacionais crescentes.


