Gaza viveu neste domingo (20) um dos dias mais violentos desde o anúncio do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e o Hamas, assinado em 10 de outubro. Dezenas de palestinos e dois soldados israelenses foram mortos em ataques israelenses contra Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em resposta, segundo Israel, a violações do acordo pelo Hamas.
O Exército israelense afirmou que tropas foram atacadas com armas de fogo e um míssil antitanque enquanto realizavam operações contra supostos locais de infraestrutura militar do grupo palestino. Em resposta, Israel bombardeou túneis e instalações utilizadas para disparos de foguetes e confrontos.
O Hamas, por sua vez, negou envolvimento nos ataques e acusou Israel de violar o cessar-fogo, afirmando que o país cria pretextos para justificar operações militares contra civis. Horas após os confrontos, o Exército israelense anunciou a retomada do cessar-fogo, mas a população de Gaza permanece apreensiva quanto a uma possível escalada.
Nos últimos dias, ao menos oito palestinos morreram em ataques israelenses, segundo o Ministério da Saúde administrado pelo Hamas, e muitas vítimas ainda estão sob escombros, inacessíveis a ambulâncias devido à presença militar. Desde o início da campanha israelense em outubro de 2023, mais de 68 mil palestinos foram mortos.
O acordo de trégua, mediado pelos EUA, previa a retirada parcial das tropas israelenses de Gaza, a libertação de reféns e prisioneiros, e a entrada de ajuda humanitária, com centenas de caminhões já chegando à região. Apesar disso, especialistas alertam que sem uma força internacional de estabilização, o risco de novos confrontos entre facções palestinas e Israel continua elevado.
Além da tensão entre Israel e Hamas, surgem conflitos internos em Gaza, com o grupo palestino realizando ações contra gangues locais, incluindo execuções de membros acusados de colaborar com Israel. A situação humanitária segue crítica, com destruição de prédios, escassez de alimentos e dificuldade de acesso a serviços de emergência.


