A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), evitou fazer um apelo direto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a nomeação do próximo ministro da Corte, após a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, mas reafirmou sua já conhecida posição sobre a necessidade de mais mulheres no STF.
“Todos sabem a minha posição sobre a questão das mulheres [no Supremo], mas não falo em específico. Juiz não pede, porque não pode receber, na minha compreensão”, declarou a ministra durante participação no evento Sempre Um Papo, realizado na noite de quinta-feira (16), no Sesc Pinheiros, em São Paulo.
Ela explicou que, por questão de princípio, não faz pedidos diretos ao chefe do Executivo:
“Não posso me manifestar sobre uma decisão que é da minha casa. Se eu fizer um pedido dirigido ao presidente da República, amanhã ele pode pedir alguma coisa à juíza.”
Representatividade ainda é exceção
A fala da ministra ocorre em meio à expectativa pela indicação de um novo nome ao Supremo, diante da saída de Barroso, cuja aposentadoria foi publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (15). Ele deixará o cargo neste sábado (18), e não há prazo definido para a nomeação do substituto.
O momento reacende o debate sobre representatividade no Judiciário, especialmente no STF. Em 134 anos de história, o Supremo já contou com 172 ministros. Desse total, apenas três foram mulheres — Ellen Gracie, Cármen Lúcia e Rosa Weber —, e nenhuma mulher negra jamais ocupou uma cadeira na mais alta Corte do país.
Escolha cabe ao presidente
A indicação de ministros do STF é uma prerrogativa do presidente da República, que escolhe o nome e o submete à aprovação do Senado Federal. Com a aposentadoria de Barroso, Lula fará sua terceira indicação ao Supremo nesta gestão.


