O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou na quarta-feira (15) que autorizou a realização de operações secretas pela CIA na Venezuela. Ele também declarou que avalia a possibilidade de ações terrestres contra cartéis de drogas que, segundo o governo norte-americano, atuam com apoio do regime de Nicolás Maduro.
A declaração foi feita durante entrevista coletiva na Casa Branca, após semanas de crescentes movimentações militares na região do Caribe, incluindo o envio de bombardeiros e navios de guerra para áreas próximas ao território venezuelano.
Segundo Trump, o objetivo das ações é proteger os EUA do tráfico de drogas e do que classificou como "ameaças à segurança nacional". No entanto, especialistas acreditam que as medidas podem representar o início de uma ofensiva direta contra o governo de Maduro.
Movimentação militar no Caribe preocupa analistas
Desde agosto, o Pentágono já deslocou oito embarcações militares, um submarino nuclear e centenas de militares para áreas próximas à Venezuela. A justificativa oficial é o combate ao narcotráfico. Bombardeios a barcos supostamente usados no transporte de drogas já foram realizados, com mortos registrados, segundo o próprio Trump.
Durante sua fala, o presidente americano afirmou que “cada barco destruído salva 25 mil vidas nos Estados Unidos”. Ele também indicou que uma operação terrestre está em avaliação: “Controlamos bem o mar, agora estamos observando a terra”, declarou.
Além disso, três bombardeiros estratégicos B-52, com capacidade nuclear, realizaram voos em zonas próximas ao espaço aéreo venezuelano, o que foi interpretado como um sinal claro de intimidação e possível ensaio militar.
Reações de Caracas e tensões diplomáticas
O presidente Nicolás Maduro reagiu duramente às declarações de Trump, acusando os Estados Unidos de promoverem mais uma tentativa de "golpe orquestrado pela CIA". Em discurso, Maduro comparou a situação à política externa americana em países como Iraque, Líbia e Afeganistão, que resultaram em guerras prolongadas e instabilidade regional.
O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela também condenou a postura de Washington, classificando-a como "belicista" e "agressiva", e alertou para uma suposta tentativa de apropriação de recursos naturais venezuelanos, como petróleo e minerais estratégicos.
Especialistas apontam risco real de intervenção
Para o cientista político Maurício Santoro, colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, os recentes movimentos sugerem que os Estados Unidos estariam preparando uma ação militar direta contra o governo venezuelano.
Ele destaca três possíveis estratégias que poderiam ser adotadas:
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Ataques cirúrgicos a instalações estratégicas;
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Captura ou eliminação de líderes do alto escalão chavista;
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Estímulo à rebelião interna contra Maduro com apoio militar externo.
“Embora não esteja claro qual será o próximo passo, há indícios de que uma ofensiva de grande porte pode estar sendo preparada. Seria algo inédito, já que os EUA nunca atacaram diretamente um país sul-americano”, afirmou Santoro.
Foco no narcotráfico ou mudança de regime?
O governo Trump sustenta que o foco é o combate ao Cartel de los Soles, suposta organização criminosa liderada por Maduro. Porém, estudiosos afirmam que esse "cartel" seria, na verdade, um sistema difuso de corrupção e tráfico, operado por redes informais ligadas ao governo e às Forças Armadas venezuelanas.
A recompensa de US$ 50 milhões oferecida pelo Departamento de Justiça americano por informações que levem à captura de Maduro reforça a percepção de que o objetivo vai além do narcotráfico — e mira diretamente a mudança de regime.
Críticas internacionais e acusações de violações de direitos
As operações militares vêm sendo criticadas por organizações como a Human Rights Watch, que alega que os ataques realizados em alto-mar configuram execuções ilegais. A questão foi discutida no Conselho de Segurança da ONU, com preocupações sobre a legalidade das ações e seus potenciais desdobramentos geopolíticos.
De acordo com o governo venezuelano, os alvos bombardeados seriam barcos de pesca, e não embarcações ligadas ao tráfico. Caracas solicita uma investigação internacional sobre as mortes.
Fim do diálogo e recusa de oferta venezuelana
Segundo o jornal The New York Times, Maduro teria tentado negociar com Washington, oferecendo petróleo e minerais em troca de uma redução da pressão militar. No entanto, a proposta foi rejeitada, e os Estados Unidos teriam encerrado as possibilidades de diálogo diplomático.
Enquanto isso, Trump evita responder se autorizou ações letais diretas contra Maduro, mas fontes ligadas à Casa Branca indicam que operações com esse perfil estão sendo consideradas.


