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INCLUSÃO

há 8 meses

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Reeducandas produzem perucas e transformam vidas de mulheres com câncer em MS

Projeto do sistema prisional entrega 123 perucas à Rede Feminina de Combate ao Câncer durante o Outubro Rosa, reforçando a força da solidariedade e da ressocialização

Em uma iniciativa que une solidariedade, dignidade e transformação social, o Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi”, em Campo Grande, entregou 123 perucas à Rede Feminina de Combate ao Câncer, organização vinculada ao Hospital Alfredo Abrão. As peças foram confeccionadas por reeducandas da unidade prisional como parte da campanha Outubro Rosa, que reforça a importância da prevenção e do autocuidado.

O projeto é fruto de uma parceria entre a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), a Receita Federal do Brasil e a Rede Feminina. Além das perucas prontas, também foram repassados 40 quilos de cabelo humano apreendidos pela Receita Federal, que servirão para a confecção de novas peças destinadas a pacientes em tratamento oncológico.

Alems

Durante a cerimônia de entrega, realizada no dia 7 de outubro, a presidente da Rede Feminina, Rosana Aguilar Macedo, destacou o impacto emocional da doação. “Essas perucas representam autoestima e esperança. Muitas mulheres chegam até nós fragilizadas e saem com um sorriso no rosto. É um trabalho que nos enche de alegria e gratidão”, afirmou.

O diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, ressaltou o papel transformador do trabalho prisional. “As internas colocam dedicação e talento em algo que leva amor, autoestima e solidariedade a outras pessoas. Isso mostra que o trabalho prisional pode ser uma ponte de transformação — dentro e fora dos muros das unidades.”

A ação também integra o programa Receita Cidadã, da Receita Federal, que prioriza a destinação social de itens apreendidos. O delegado do órgão em Campo Grande, Zumilson Custódio da Silva, afirmou que materiais antes leiloados agora ganham novo significado ao serem usados em ações sociais.

A diretora do presídio, Mari Jane Boleti Carrilho, agradeceu às instituições parceiras e destacou o valor simbólico da entrega. “Embora pareça um ato simples, representa um gesto de grande valor humano e solidário, resultado do trabalho dedicado das internas, com o apoio da voluntária Dirce Ramos.”

A presidente do Hospital Alfredo Abrão, Sueli Lopes Telles, reforçou o impacto da ação. “Essas perucas devolvem confiança e autoestima às mulheres em tratamento. Nosso hospital atende 72% dos casos oncológicos do Estado, com foco em acolhimento e humanização.”

Uma das voluntárias da Rede Feminina, Amanda Serafini, também paciente oncológica, compartilhou seu testemunho. “Perder o cabelo é um dos momentos mais difíceis do tratamento. Receber uma peruca é um gesto que devolve a vontade de continuar lutando.”

Estiveram presentes no evento autoridades da Agepen, representantes da Receita Federal, da Rede Feminina e do hospital, além das internas responsáveis pela produção das perucas. A ação foi marcada por emoção, empatia e esperança, reafirmando que a ressocialização pode ser aliada da solidariedade e da dignidade.

A entrega das perucas simboliza mais do que um simples gesto: é a prova de que o trabalho dentro do sistema prisional pode impactar positivamente a sociedade e devolver sentido à vida — tanto para quem doa quanto para quem recebe.

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