Nesta quarta-feira, 16 de outubro, Campo Grande será palco de um dos debates mais importantes sobre o futuro do trabalho no Brasil. A cidade sedia a etapa estadual da II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT), iniciativa que reúne representantes de trabalhadores, empregadores, governo e sociedade civil para discutir os desafios e propor soluções concretas para a promoção do trabalho decente em Mato Grosso do Sul e no país.
Realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Superintendência Regional do Trabalho em MS, a Conferência marca a retomada de um espaço democrático e estratégico de construção de políticas públicas voltadas ao trabalho, emprego e renda. As propostas elaboradas nesta etapa serão levadas à Conferência Nacional, que acontecerá em março de 2026, em São Paulo.
Além de dar voz às principais demandas do mundo do trabalho, o evento pretende alinhar o crescimento econômico do estado a políticas de inclusão, formalização e proteção social, como destaca o superintendente regional do Trabalho, Alexandre Cantero:
“Esse é um momento para ouvir, dialogar e construir coletivamente. Estamos reunindo forças para fortalecer a formalização do emprego, ampliar a inclusão produtiva e garantir que o desenvolvimento econômico de MS caminhe junto com a valorização do trabalhador.”
Realidade do trabalho em MS
De acordo com o Relatório da Situação do Trabalho Decente em Mato Grosso do Sul (2025):
- 62,8% da população ocupada está em empregos formais;
- 37,2% ainda atuam na informalidade;
- A taxa de desocupação é de apenas 4,1%, uma das menores do país;
- O rendimento médio dos trabalhadores é de R$ 3.102, acima da média nacional;
- A taxa de desemprego entre jovens é de 8,2%;
- Há cerca de 9,7 mil crianças e adolescentes ainda em situação de trabalho infantil.
Apesar dos avanços, o estado ainda enfrenta desigualdades salariais entre homens e mulheres e desafios na erradicação do trabalho infantil e na ampliação da proteção social.
O que será debatido?
Durante a Conferência, serão debatidos temas como:
- Combate à informalidade;
- Igualdade de oportunidades;
- Trabalho infantil e análogo à escravidão;
- Saúde e segurança no trabalho;
- Negociação coletiva e direitos trabalhistas;
- Modernização da fiscalização trabalhista.
A proposta é construir um conjunto de diretrizes e ações práticas, com base na escuta qualificada de diferentes setores da sociedade. As discussões acontecem em um formato tripartite e paritário, com a mesma representatividade entre governo, trabalhadores e empregadores.


