A disputa econômica entre Estados Unidos e China ganhou um novo capítulo após o governo americano anunciar tarifas de 100% sobre produtos chineses. A medida, divulgada na sexta-feira (10) pelo presidente Donald Trump, reacendeu temores de uma guerra comercial em escala global e provocou forte reação do governo de Pequim.
Neste domingo (12), o Ministério do Comércio da China chamou as tarifas de “hipócritas” e afirmou que o país não teme uma nova rodada de embates comerciais. Segundo o comunicado, as restrições impostas por Pequim à exportação de elementos das chamadas terras raras foram uma resposta a ações anteriores dos Estados Unidos.
Os terras raras são 17 elementos químicos essenciais para a indústria tecnológica — usados em chips, baterias e motores elétricos. A China domina mais de 90% da produção mundial desses materiais, o que lhe confere forte influência no mercado global. Washington, por sua vez, acusa o país asiático de usar esse domínio como arma econômica.
O anúncio das novas tarifas derrubou bolsas internacionais e aumentou a tensão antes da Cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), onde Trump e Xi Jinping poderiam se encontrar. O presidente americano já adiantou que “não há mais razão” para manter o diálogo.
Analistas veem o impasse como um dos mais sérios desde 2019, quando ambos os países elevaram tarifas recíprocas e abalaram o comércio global. A nova ofensiva pode comprometer cadeias produtivas, especialmente nos setores de tecnologia e energia, e afetar economias emergentes, como o Brasil, que é um dos principais produtores de terras raras fora do eixo EUA-China.

