A poeira ainda cobre o ar quando os primeiros grupos de palestinos atravessam as estradas de Gaza. São homens, mulheres e crianças que, depois de dois anos de bombardeios, fome e medo, voltam para o que restou de suas casas. O cessar-fogo entre Israel e Hamas, em vigor desde o meio-dia desta sexta-feira (10), abriu caminho para o retorno de um povo exausto e de uma terra devastada.
Imagens mostram filas intermináveis de pessoas caminhando pela estrada Al-Rachid, à beira do Mediterrâneo. Carros avançam lentamente, desviando de ruínas e crateras. Em muitas regiões, o que antes eram bairros inteiros virou uma sucessão de escombros. Não há portas para abrir, nem telhados para abrigar — apenas o reencontro com a destruição.

O acordo mediado pelos Estados Unidos prevê o fim imediato dos ataques e a libertação de reféns israelenses e prisioneiros palestinos. Israel, que recuou de várias posições, ainda mantém o controle de parte do território, enquanto o Hamas promete devolver ao menos 20 reféns nas próximas 72 horas.
Mesmo com a trégua, o cenário é desolador. Gaza permanece ferida — sem energia estável, com falta de água potável e hospitais em colapso. Organizações humanitárias tentam restabelecer o atendimento básico, mas o sofrimento é visível em cada olhar que retorna.
“Este é um momento emocionante para o povo de Israel”, declarou o porta-voz das Forças de Defesa, Effie Defrin. Já do lado palestino, o sentimento é outro: alívio e dor se misturam em meio a um território que tenta renascer das cinzas.
O cessar-fogo encerra, ao menos por ora, uma guerra iniciada em 2023, que transformou Gaza em um símbolo da devastação moderna. Agora, entre ruínas e promessas de reconstrução, resta apenas a esperança — frágil, mas viva — de que a paz dure mais do que as cicatrizes deixadas pelo conflito. ( Com inf da CNN)



