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AUTOMOBILISMO

há 8 meses

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BYD inaugura primeira fábrica de carros elétricos no Brasil com promessa de 150 mil veículos por ano

Unidade em Camaçari (BA) foi construída no antigo complexo da Ford e pode dobrar capacidade de produção na segunda fase. Investimento total é de R$ 5,5 bilhões

A montadora chinesa BYD inaugura nesta quinta-feira (9) sua primeira fábrica de carros elétricos no Brasil. Localizada em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (BA), a unidade tem capacidade inicial para produzir 150 mil veículos eletrificados por ano, com possibilidade de expansão para 300 mil na segunda fase.

A cerimônia de inauguração conta com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, do ministro da Casa Civil, Rui Costa, além do presidente global da BYD, Wang Chuanfu, e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.

Alems

Complexo no antigo terreno da Ford

A nova planta foi instalada no antigo polo industrial da Ford, que encerrou as atividades no local em 2021. O terreno foi adquirido pelo governo da Bahia em 2023 e repassado à montadora, que oficializou o início das obras em março de 2024. O investimento da BYD no projeto foi de R$ 5,5 bilhões.

  • Com 4,6 milhões de metros quadrados, o complexo abrigará três unidades de produção:
  • Carros eletrificados (elétricos e híbridos);
  • Caminhões e chassis de ônibus;
  • Processamento de insumos para baterias, como lítio e ferro fosfato.
  • A expectativa é de geração de até 20 mil empregos diretos e indiretos.

Linha de produção e modelos fabricados

A fábrica opera inicialmente sob o modelo SKD (Semi Knocked-Down), em que as partes do veículo são fabricadas na China e montadas no Brasil. A empresa planeja nacionalizar progressivamente a produção, incluindo etapas de pintura e soldagem.

A linha de montagem inclui tecnologia de ponta, com robôs automatizados em tarefas como instalação de vidros e fixação de baterias. O ambiente interno da fábrica foi projetado para operar com baixo nível de ruído, abaixo de 70 decibéis.

Três modelos serão produzidos nesta primeira fase:

  • BYD Dolphin Mini (100% elétrico), atualmente o mais vendido da categoria no Brasil;
  • BYD Song Pro (GL/GS) (híbrido);
  • BYD King (GL/GS) (híbrido).

A montadora também desenvolverá no país um motor híbrido flex, o 1.5 DM-i, adaptado para funcionar com gasolina e etanol, em parceria com engenheiros brasileiros e chineses.

Irregularidades trabalhistas e investigação

Apesar do avanço industrial, a construção da fábrica foi marcada por denúncias trabalhistas. Em 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego identificou a presença de 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao país, dos quais 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão.

Os trabalhadores foram encontrados em alojamentos precários, com camas sem colchões, sem armários e com um único banheiro para mais de 30 pessoas. A empresa é investigada por responsabilidade direta nas contratações.

Reação do setor automotivo e pressões por taxação

A rápida expansão da BYD no Brasil gerou incômodo entre montadoras já estabelecidas no país. O modelo de negócios da empresa, com alto índice de importação de peças a baixo custo, foi criticado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que apontou risco à competitividade da indústria nacional.

Em resposta, o governo federal antecipou para janeiro de 2027 a retomada da alíquota de 35% de imposto de importação para carros elétricos e híbridos, anteriormente prevista para 2028.

Em reação à decisão, a BYD lançou uma campanha comprometendo-se a alcançar mais de 50% de nacionalização de peças até 2027, além de ampliar parcerias com fornecedores brasileiros.

Em julho, a empresa publicou uma nota provocativa ao setor: “Se os dinossauros estão gritando, é sinal de que o meteoro está funcionando”.

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