A ativista ambiental sueca Greta Thunberg foi deportada por Israel nesta segunda-feira (6), junto com outros 170 participantes de uma flotilha que tentou levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e foi interceptada por forças israelenses na semana passada. Com essa nova leva, o total de pessoas expulsas do país chega a 340.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que todos os direitos legais dos ativistas foram respeitados durante o período de detenção em território israelense. A pasta ainda classificou os participantes como "provocadores" e afirmou que o grupo fazia parte da flotilha "Hamas–Sumud".
Segundo o governo israelense, os ativistas foram enviados para a Grécia e a Eslováquia. Entre eles estavam cidadãos de diversas nacionalidades, incluindo europeus, norte-americanos e brasileiros — destes, 13 ainda permanecem detidos, conforme comunicado do Itamaraty.
A interceptação da flotilha, composta por mais de 40 embarcações, ocorreu durante a tentativa do grupo de romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza — que envolve restrições por terra, mar e ar. O episódio gerou forte reação internacional. Na sexta-feira (3), o governo brasileiro formalizou uma denúncia contra Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Autoridades israelenses afirmaram que alguns dos detidos, incluindo Greta Thunberg, teriam se recusado a colaborar com os procedimentos de deportação, o que prolongou a permanência de parte do grupo sob custódia. Fotos dos ativistas, incluindo Greta, foram divulgadas em um aeroporto israelense antes do embarque para a deportação.
No domingo (5), o governo israelense negou ter praticado maus-tratos contra Greta, após declarações de outros ativistas deportados que relataram abusos.
A flotilha tinha como missão denunciar a situação humanitária em Gaza, agravada desde o início do atual conflito, em 7 de outubro de 2023, após um ataque do grupo Hamas em território israelense que resultou em mais de 1.200 mortos e centenas de reféns. Desde então, o conflito já provocou a morte de mais de 67 mil palestinos e deixou cerca de 170 mil feridos, conforme dados do Ministério da Saúde de Gaza, sob controle do Hamas — números reconhecidos pela ONU.
Entre os brasileiros envolvidos na ação estavam 15 ativistas, dos quais 14 foram detidos. Um deles já foi deportado. A deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) está entre os brasileiros ainda custodiados. Representantes do governo brasileiro realizaram visita consular aos detidos nesta segunda-feira.


