A suspeita de circulação de bebidas adulteradas em Campo Grande acende um alerta de saúde. O médico emergencista da Unimed Campo Grande, Rodrigo Quadros, ouvido pela reportagem explica que a intoxicação por metanol, diferente do etanol presente nas bebidas alcoólicas comuns, pode ter efeitos devastadores no organismo.
“Os primeiros sinais não são de embriaguez. O metanol provoca turvação visual, alterações de equilíbrio e déficits motores logo nas primeiras horas após a ingestão. Esses sintomas podem evoluir para dor abdominal, cefaleia intensa, rebaixamento do nível de consciência e, em casos graves, causar cegueira irreversível ou até a morte”, afirma o dr. Rodrigo.
Segundo o especialista, o risco está na forma como o organismo metaboliza o produto. “Enquanto o etanol é convertido em substâncias não tóxicas, o metanol se transforma em ácido fórmico, altamente nocivo. Essa substância ataca o sistema nervoso central e pode comprometer a visão e outras funções vitais”, explica.
O médico destaca que não existe uma dose segura. “Mesmo pequenas quantidades, como 3 ml, podem causar lesões no nervo óptico ou sequelas neurológicas permanentes. Por isso, qualquer suspeita deve ser tratada como emergência”, orienta o médico.
Atendimento e tratamento
O tratamento mais eficaz, segundo o especialista, é a aplicação controlada de etanol hospitalar, que compete com o metanol no processo de metabolização e evita a produção do ácido fórmico. Além disso, são utilizados protocolos de hidratação intensa e medicamentos para corrigir a acidose metabólica.
O médico alerta que a rapidez na procura por atendimento pode salvar vidas:
“Quanto antes o paciente chega ao hospital, maiores as chances de evitar sequelas graves”, enfatiza o emergencista.
Estoque limitado
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que Mato Grosso do Sul possui pequenas quantidades de etanol hospitalar para uso como antídoto, mas ainda não em escala suficiente para atender uma possível epidemia de intoxicações. O Estado acompanha a situação em conjunto com a vigilância sanitária e órgãos de segurança.
Investigação em andamento
Na noite de quinta-feira (2), um jovem de 21 anos morreu após ingerir bebida alcoólica em Campo Grande. O caso é investigado pela Polícia Civil como possível intoxicação por metanol. Amostras foram enviadas ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) e o resultado deve sair em até 30 dias.


