A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou 16 réus da Operação Snow a penas que, juntas, chegam a 145 anos de prisão, além de multas que ultrapassam R$ 199 mil. A sentença foi publicada nesta segunda-feira (29) pela 3ª Vara Criminal de Campo Grande, após investigação conduzida pelo Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).
Segundo o Ministério Público, os réus integravam uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro, atuando entre julho de 2021 e março de 2024 em Ponta Porã e Campo Grande. O esquema ganhou notoriedade pelo uso do chamado “frete seguro” — viaturas policiais utilizadas para transportar cocaína sem risco de fiscalização.
Policiais no esquema
As provas revelaram a participação direta de agentes da segurança pública, inclusive no transporte da droga. Em um dos vídeos anexados ao processo, policiais civis aparecem dirigindo viaturas oficiais carregadas de entorpecentes. No total, mais de duas toneladas de cocaína foram ligadas à organização.
Um policial civil foi condenado a 13 anos e 5 meses de prisão, além de multa e perda do cargo. Para o juiz, a gravidade da conduta e o envolvimento de servidores públicos foram determinantes para a fixação das penas.
O líder empresarial do grupo recebeu a condenação mais dura: 23 anos e 9 meses de reclusão em regime fechado.
Sem direito a liberdade
A sentença determinou que as penas sejam cumpridas inicialmente em regime fechado, negando pedidos de substituição por medidas alternativas ou suspensão condicional. Os réus não poderão recorrer em liberdade, exceto aqueles que já respondiam soltos ou com medidas cautelares.
O processo foi desmembrado em relação a três acusados — entre eles, um policial civil — e dois réus foram absolvidos.
Operação em duas fases
A Operação Snow foi deflagrada em duas etapas:
- 1ª fase (26 de março de 2024): 21 mandados de prisão preventiva e 33 de busca e apreensão para desarticular a estrutura do “frete seguro”.
- 2ª fase (15 de janeiro de 2025): 9 prisões e 19 buscas após análise de celulares apreendidos. Nessa etapa, surgiram novos investigados, incluindo advogados suspeitos de corromper servidores, além da confirmação da violência interna do grupo, com indícios de sequestros e possíveis execuções.
Com a decisão, a Justiça reforça que a conduta dos envolvidos representa uma afronta à segurança pública, especialmente pelo uso de viaturas policiais em benefício de um esquema criminoso milionário.


