As contas mais recentes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) revelam que os gastos com salários intensificaram-se em ritmo superior ao da inflação: entre setembro do ano passado e agosto deste ano, a despesa bruta com pessoal saltou de R$ 364,8 milhões para R$ 403,5 milhões, correspondendo a um acréscimo de 10,6% — quase o dobro do índice inflacionário oficial de 5,13%.
Quando a comparação considera apenas agosto de 2024 contra agosto de 2025, o aumento é ainda mais expressivo: 13,5%, com os gastos saltando de R$ 28,9 milhões para R$ 32,8 milhões.
Dentro desse montante, a elevação nas remunerações para servidores ativos foi particularmente acentuada: subiu 11,6%, passando de R$ 303,6 milhões para R$ 339 milhões. Já o custo com aposentados e pensionistas evoluiu em percentual mais modesto, com alta de 5,4% — valor muito próximo ao da inflação.
O MPMS mantém restrições quanto à divulgação individual dos salários dos seis integrantes, embora promotores e procuradores recebam vencimentos equivalentes aos dos magistrados de Mato Grosso do Sul. Em agosto, por exemplo, magistrados tiveram ganhos médios da ordem de R$ 140 mil, com alguns holerites chegando a R$ 175 mil.
A situação não é exclusiva ao Ministério Público: dados do Executivo estadual também apontam crescimento significativo nas despesas com pessoal no período. Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, os gastos brutos passaram de R$ 943 milhões para R$ 1,044 bilhão, um aumento de 10,7%. Em doze meses, o valor foi de R$ 11,984 bilhões para R$ 13,126 bilhões — alta de 9,5%, quatro pontos percentuais acima da evolução das receitas (5,5%) no mesmo intervalo.

