Na tarde desta segunda-feira (29), uma mulher em São Paulo ficou cega após consumir vodka que, segundo investigações preliminares, estaria adulterada com metanol. O caso veio à tona em meio a uma série de episódios semelhantes registrados no estado, que mobilizam autoridades sanitárias, policiais e especialistas em toxicologia.
Caso da mulher com cegueira súbita
Segundo reportagens locais, a vítima estava em um bar nos Jardins quando, após ingerir a bebida, começou a apresentar sintomas graves. Ela foi levada a uma unidade de saúde e internada em estado grave. Médicos constataram lesão no nervo óptico, resultando em cegueira irreversível. Há suspeitas de que o álcool consumido tenha sido “batizado” com metanol, que é altamente tóxico.
A polícia foi acionada para diligenciar no estabelecimento, verificar autorizações, recolher garrafas suspeitas e ouvir testemunhas. A investigação apura se houve comercialização de bebida adulterada no local.
Situação mais ampla: casos similares em São Paulo
O estado de São Paulo já contabiliza nove casos confirmados de intoxicação por consumo de bebidas adulteradas com metanol, segundo dados recentes da Secretaria de Saúde.
Dentre eles está o caso de um homem, Wesley Neves Pereira, que permanece há mais de um mês na UTI após ingerir whisky adulterado. Ele perdeu a visão e teve complicações como insuficiência renal e AVC.
Além disso, já foram confirmadas duas mortes associadas à ingestão de bebida contaminada com metanol no estado. A polícia também investiga grupos que consumiram gin importado, possivelmente adulterado, em bairros da Zona Sul de São Paulo.
O que é o metanol e por que ele é perigoso
O metanol é uma substância líquida, incolor e inflamável, usada como solvente industrial e em combustíveis. Ele não deve estar presente em bebidas alcoólicas destinadas ao consumo humano.
No organismo, o metanol é metabolizado em formaldeído e ácido fórmico — compostos tóxicos que podem causar danos ao sistema nervoso central, insuficiência renal, acidose metabólica e, em casos mais graves, cegueira ou morte. Mesmo doses pequenas já podem provocar sintomas visuais severos.
Um dos sinais mais característicos de intoxicação por metanol é a perda de visão ou visão turva, que pode surgir várias horas após a ingestão. Outros sintomas incluem dor abdominal, vômitos, dor de cabeça, fraqueza, convulsões e alterações do nível de consciência.
Reações das autoridades e controle sanitário
Diante da gravidade dos episódios, a Vigilância Sanitária intensificou fiscalizações em bares, adegas e pontos de venda de bebidas alcoólicas, buscando identificar produtos falsificados ou adulterados.
A ABCF (Associação Brasileira de Combate à Falsificação) levantou a hipótese de que o metanol usado nos casos possa ter origem em lotes destinados à adulteração de combustíveis, vendidos por organizações criminosas.
A Secretaria de Saúde de São Paulo confirmou as mortes já associadas e informou que outros dez casos estão em investigação.Também foi emitido alerta técnico aos estabelecimentos para que verifiquem lacres, procedência das bebidas e preços muito baixos, que podem indicar adulteração.
Desafios e urgência de respostas
O aumento dos casos em curto prazo acende um alerta para os órgãos de fiscalização, saúde pública e segurança. Muitas vítimas só procuram atendimento quando os sintomas já são severos, o que limita as chances de tratamento eficaz.
Para casos de intoxicação por metanol, o diagnóstico e a intervenção rápida são cruciais. O tratamento envolve suporte médico intensivo, administração de antídotos (como etanol ou fomepizol) e, em alguns casos, hemodiálise para remover toxinas do organismo.
Além disso, é necessário rastrear a origem das bebidas falsificadas, responsabilizar fabricantes e distribuidores e ampliar a conscientização da população sobre os perigos da ingestão de bebidas de procedência duvidosa.


