Uma árvore atingida a cerca de 20 metros de altura e um galho preso à fuselagem apontam para o momento da colisão da aeronave, antes de sua queda definitiva. Essas constatações, reunidas com o depoimento de uma testemunha, ajudaram a reconstruir o cenário do acidente.
A investigação conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul revelou que o avião chegou a arremeter — realizar um voo circular — e tentava fazer uma nova aproximação para pouso quando colidiu com a árvore.
O primeiro pouso foi tentado às 18h03, em horário em que já não havia condições ideais de visibilidade — o sol se pôs às 17h39 naquele dia. Devido à falta de luz, a manobra ficou mais arriscada e contribuiu para o desfecho trágico.
“Ao entrar na mata, identificamos galhos caídos e uma árvore partida, o que permitiu entender a dinâmica do acidente. As imagens recuperadas mostram como a arremetida ocorreu e como deu-se o impacto”, explicou a delegada responsável. Segundo ela, o avião — abastecido no momento — acabou incendiando, o que provocou a morte imediata de todos os ocupantes.
O acidente aéreo ocorreu na noite de terça-feira (23), na região rural da Fazenda Barra Mansa, em Aquidauana (MS), no Pantanal sul-mato-grossense. Na ocasião, quatro pessoas estavam a bordo da aeronave e morreram no local, vítimas da explosão desencadeada após o impacto.
Entre as vítimas estão:
- Marcelo Pereira de Barros, piloto e proprietário da aeronave, conhecido como “Marcelo Pantaneiro” em Aquidauana;
- Kongjian Yu, arquiteto e urbanista reconhecido internacionalmente;
- Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz, cineasta e documentarista brasileiro;
- Rubens Crispim Júnior, diretor e fotógrafo.
O corpo de Marcelo Pereira foi sepultado no sábado (27), em Aquidauana. Os demais estão aguardando liberação para velório e sepultamento: Rubens Crispim está sendo velado, Luiz Fernando será sepultado nos próximos dias, e o corpo de Kongjian Yu ainda está retido em Campo Grande, aguardando os encaminhamentos legais.
Conforme informações da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o avião envolvido no acidente era um Cessna com prefixo PT-BAN, fabricado em 1958, que apresentava irregularidades consideráveis: não estava autorizado para serviço de táxi aéreo nem para voos noturnos, possuía manutenção inadequada e já havia sido apreendido em 2019 por operar transporte remunerado clandestino.
Para apurar todas as circunstâncias do desastre, a Polícia Civil e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) atuam em conjunto, buscando esclarecer causas, responsabilidades e eventuais falhas nos protocolos de voo e segurança.


