Durante seu discurso nesta sexta-feira (26), na Assembleia Geral da ONU em Nova York, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, provocou uma reação contundente da comunidade internacional: delegações de vários países — entre elas, a do Brasil — deixaram o plenário antes mesmo do líder iniciar sua fala.
A saída em protesto ocorreu devido à posição israelense sobre o conflito na Faixa de Gaza e ao avanço militar do país contra o Hamas, o Hezbollah e aliados regionais do Irã. Em sua fala, Netanyahu defendeu as operações militares e reforçou as exigências de desmilitarização total de Gaza como condição para o fim da guerra — algo já publicamente rejeitado pelo Hamas.
Discurso interrompido por boicote silencioso
Antes de subir ao púlpito, dezenas de diplomatas já haviam deixado o auditório da ONU em um protesto silencioso. Mesmo diante da rejeição, Netanyahu afirmou:
"Vou dizer a nossa verdade."
Destaques do discurso
Operações militares: Netanyahu exaltou ações contra o Hamas e o Hezbollah, incluindo uma explosão que teria atingido comunicações do grupo libanês em setembro de 2024.
Apoio dos EUA: Agradeceu ao presidente norte-americano Donald Trump pelos bombardeios conjuntos contra instalações iranianas.
Reféns em Gaza: Revelou ter instalado alto-falantes na fronteira com Gaza para se comunicar com reféns israelenses. Disse ainda que sua mensagem foi transmitida em tempo real para os celulares da população palestina.
Ultimato ao Hamas: “Se entregarem os reféns, viverão. Caso contrário, Israel irá caçá-los”, declarou em tom de ameaça direta.
Símbolos e QR Code
Durante o discurso, Netanyahu usava um broche com um QR Code que levava a vídeos das câmeras de segurança israelenses do ataque de 7 de outubro de 2023 — data que marca o início da atual fase da guerra com o Hamas. O gesto buscou reforçar a narrativa de que Israel age em legítima defesa.
Pressão internacional cresce
Netanyahu enfrenta uma crescente pressão global após vários países reconhecerem oficialmente o Estado palestino, entre eles França, Reino Unido e Canadá. Em resposta, integrantes do governo israelense sugeriram a anexação total ou parcial da Cisjordânia, mas a proposta pode enfrentar resistência dos EUA.
O presidente Donald Trump, que se reunirá com Netanyahu na próxima segunda-feira (29), teria prometido a líderes árabes que não apoiará a anexação de territórios palestinos.
Cessar-fogo e crise interna
Enquanto o governo israelense planeja uma nova ofensiva para retomar o controle da Cidade de Gaza, cresce o descontentamento interno. Milhares de israelenses protestam regularmente exigindo um cessar-fogo e o retorno dos reféns.
Segundo dados do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, mais de 68 mil pessoas já morreram no conflito. Ainda restam cerca de 50 reféns israelenses em poder do grupo, mas apenas 20 são considerados vivos.


