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JUSTIÇA

há 10 meses

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Condenado a 38 anos por feminicídio, réu é um dos primeiros julgados em MS sob nova lei

Este foi um dos primeiros julgamentos em Mato Grosso do Sul após a nova lei do feminicídio, que elevou a pena para até 40 anos de prisão; Estado já registra 22 mulheres assassinadas em 2025

Após confessar o assassinato brutal de Giseli Cristina Olikowski, 34 anos, Jefferson Nunes Ramos, 41, foi condenado nesta sexta-feira (22) a 38 anos e 3 meses de prisão em regime fechado. Além da pena, ele terá de pagar R$ 10 mil de indenização a cada um dos quatro filhos da vítima, que ficaram órfãos da mãe.

O julgamento aconteceu na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande e integra os primeiros processos em Mato Grosso do Sul com aplicação da nova lei do feminicídio, que entrou em vigor nesta semana e ampliou a pena mínima de 12 para 20 anos, podendo chegar a 40.

Alems

“Exemplo para outros agressores”

O juiz Aluízio Pereira dos Santos destacou a importância da mudança legislativa:

“Esse aumento da punição, que vai de 20 a 40 anos, serve para que outros algozes reflitam melhor. A mulher nunca espera ser morta dentro da própria casa, na frente dos filhos, por motivo banal. A lei demonstra, na prática, que esse tipo de crime não será mais tolerado”, afirmou.

O crime

Jefferson confessou ter matado a então namorada no dia 1º de março deste ano, na casa em que morava no Bairro Aero Rancho, em Campo Grande. Segundo o réu, os dois consumiam drogas e álcool quando começaram a discutir. “Ela me deu três tapas na cara porque queria mais droga e eu não tinha dinheiro. Eu fiquei nervoso e a empurrei no buraco”, relatou, referindo-se ao poço desativado onde o corpo foi encontrado e incendiado.

O plenário ficou lotado por familiares e amigos de Giseli, que pediram justiça. Para o Ministério Público, o crime foi caracterizado como feminicídio qualificado: praticado em razão da condição de mulher, em um relacionamento marcado por violência doméstica, de forma cruel e com ocultação do corpo.

Números alarmantes

Mato Grosso do Sul já contabiliza 22 mulheres vítimas de feminicídio em 2025:

  • Karina Corim (Caarapó) – 4 de fevereiro

  • Vanessa Ricarte (Campo Grande) – 12 de fevereiro

  • Juliana Domingues (Dourados) – 18 de fevereiro

  • Mirielle dos Santos (Água Clara) – 22 de fevereiro

  • Emiliana Mendes (Juti) – 24 de fevereiro

  • Gisele Cristina Olikowski (Campo Grande) – 1º de março

  • Alessandra da Silva Arruda (Nioaque) – 29 de março

  • Ivone Barbosa (Sidrolândia) – 17 de abril

  • Thácia Paula (Cassilândia) – 11 de maio

  • Simone da Silva (Itaquiraí) – 14 de maio

  • Olizandra Vera Cano (Coronel Sapucaia) – 23 de maio

  • Graciane de Sousa Silva (Angélica) – 25 de maio

  • Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio

  • Sophie Eugenia Borges (Campo Grande) – 28 de maio

  • Eliana Guanes (Corumbá) – 6 de junho

  • Doralice da Silva (Maracaju) – 20 de junho

  • Rose (Costa Rica) – 27 de junho

  • Michely Rios Midon Orue (Glória de Dourados) – 3 de julho

  • Juliete Vieira (Naviraí) – 25 de julho

  • Cinira de Brito (Ribas do Rio Pardo) – 31 de julho

  • Salvadora Pereira (Corumbá) – 2 de agosto

  • Letícia Ferreira Araújo (Cassilândia) – 9 de agosto

 

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