Quarta, 8 Julho 2026

Anuncie aqui

Campo Grande

18°

Dólar Americano

Carregando...

-

Quarta, 8 Julho 2026

JUSTIÇA

há 10 meses

A+ A-

Frigorífico ignora acordos em mais de 200 processos por mau cheiro em bairro da Capital

Durante mutirão, JBS não apresenta propostas de conciliação em mais de 200 processos sobre poluição no bairro Nova Campo Grande

Mesmo diante de mais de 200 ações judiciais movidas por moradores do bairro Nova Campo Grande, a JBS tem se mantido inerte nas tentativas de conciliação promovidas pelo Judiciário. A empresa não apresentou qualquer proposta durante o mutirão de audiências que ocorre de 18 a 21 de agosto, como parte da chamada “Semana da Pauta Verde”.

As ações coletivas foram selecionadas pela 15ª Vara Cível de Campo Grande e estão sendo conduzidas em salas reservadas, com acesso restrito. O foco das queixas é o forte odor atribuído à atuação do frigorífico na região — apontado por moradores como “insustentável”.

Alems

Segundo conciliadores que atuam no mutirão, a companhia não demonstrou interesse em dialogar, mesmo estando na fase inicial dos processos, quando ainda é possível buscar uma resolução amigável. “Estamos na etapa de contestação, momento ideal para um possível acordo, mas a empresa segue sem apresentar qualquer abertura para negociação”, informou uma das responsáveis pelas sessões.

Entre os argumentos da empresa está a alegação de que a área de onde emana o mau cheiro não pertence ao frigorífico, o que tem impedido o avanço das audiências. “Sem proposta ou sinalização de disposição ao diálogo, as audiências são encerradas imediatamente”, completou a conciliadora.

Os pedidos de indenização por danos morais variam entre R$ 25 mil e R$ 75 mil. Moradores relatam prejuízos à qualidade de vida, ao convívio social e à saúde emocional, em razão do odor constante.

Justiça aperta o cerco

As audiências ocorrem dentro de um esforço nacional proposto pelo Conselho Nacional de Justiça, com o objetivo de incentivar soluções consensuais em casos de impacto ambiental. O juiz responsável pelo caso advertiu que a ausência injustificada de qualquer uma das partes poderá resultar em penalidades, incluindo multa de até 2% do valor da causa.

A organização do mutirão está sob responsabilidade do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos e da Justiça Restaurativa, com participação ativa de magistrados ligados ao grupo ambiental do Tribunal de Justiça do Estado.

As sessões são realizadas presencialmente e por videoconferência. Caso haja consenso, o acordo é homologado judicialmente. Quando não há entendimento entre as partes, o processo segue para tramitação regular.

Veja também