Mato Grosso do Sul aparece em primeiro lugar no ranking nacional de mortes a esclarecer, com taxa de 27,5 casos a cada 100 mil habitantes — número bem acima da média brasileira, que é de 15,5. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na quinta-feira (24).
O número preocupa porque, no Estado, essas mortes sem indícios de crime já superam a taxa de homicídios dolosos, que atualmente é de 14,5 por 100 mil habitantes. Na sequência do ranking estão Rondônia (23,1), Alagoas (20,2) e Tocantins (18,7).
Nova metodologia deve alterar cenário
Apesar da liderança, Mato Grosso do Sul pode deixar o topo desse ranking já nas próximas edições do anuário. A Polícia Civil adotou, em 2025, um novo protocolo para qualificar os registros dessas ocorrências, com o objetivo de melhorar a precisão estatística e evitar distorções nos dados.
Segundo o delegado-geral Lupersio Degerone Lucio, muitos dos casos classificados como "mortes a esclarecer" já estavam solucionados, mas não haviam sido corretamente atualizados no sistema. "Antes, até mortes sem qualquer indício de crime, como afogamentos ou acidentes domésticos, entravam nessa categoria. Com o novo protocolo, essas ocorrências passarão a ter registro com causa definida", explicou.
Índice de resolução permanece alto
A Polícia Civil reforça que a mudança não impacta a taxa de homicídios não solucionados, que permanece abaixo da média nacional. O Estado afirma ter índice de resolução em torno de 80% para casos de homicídio.
Por que isso importa
A classificação de “morte a esclarecer” é feita quando não há sinais visíveis de agressão, mas a causa da morte ainda precisa ser confirmada por perícia ou investigação. Essas situações podem incluir óbitos naturais, acidentes ou até suicídios, e a categoria vem sendo alvo de críticas por impactar negativamente as estatísticas de segurança pública.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) alerta que a padronização nacional sobre esses registros ainda é um desafio. A nova diretriz do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp) estabelece parâmetros para diferenciar as mortes por causa indeterminada (MCI) e aquelas que possuem sinais de violência, que devem ser tratadas como homicídios.
Estados com taxa zero
Alguns Estados, como Amazonas, Minas Gerais, Santa Catarina e o Distrito Federal, aparecem com taxa zero de mortes a esclarecer, o que levanta questionamentos sobre a uniformidade nos critérios de classificação entre as unidades da federação.
A expectativa é de que, com a nova metodologia em vigor e maior atenção aos dados, Mato Grosso do Sul reduza esses índices e avance na transparência das informações sobre violência e criminalidade.


