Uma nota técnica do Movimento Pessoas à Frente revelou que, em março de 2025, a remuneração líquida média dos juízes brasileiros chegou a R$ 65.531 — valor depositado após os descontos. O número representa um aumento de quase 22% em um ano, considerando que em 2023 a média era de R$ 45.050, passando para R$ 54.942 em 2024.
Esse crescimento expressivo se deve principalmente aos chamados penduricalhos, que são auxílios, gratificações e benefícios não incluídos no salário-base. Em 2017, esses adicionais representavam 11,8% da remuneração total. Em janeiro de 2025, já somavam 43,7%. A tendência é que, em breve, mais da metade da renda dos magistrados venha desses valores extras.
Apesar do subsídio-base dos juízes estar limitado ao teto constitucional — equivalente ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal —, os pagamentos extras acabam elevando os ganhos acima desse limite. Essa prática é comum no Judiciário e vem sendo alvo de críticas por desrespeitar o espírito da legislação que busca controlar os gastos públicos.
O aumento nas remunerações reacende o debate sobre transparência, controle e reforma do sistema de remuneração do Judiciário, especialmente em um cenário de desigualdade salarial no setor público.

