O ministro de Governo da Bolívia, Eduardo Del Castillo, revelou neste domingo (30) que o general Juan José Zúñiga, apontado como líder de uma tentativa de golpe contra o presidente Luis Arce, ordenou que os militares disparassem, mas um subordinado se recusou a obedecer.
"Zúñiga deu a ordem para atirar nas pessoas nas proximidades do Palácio Quemado e da Casa Grande. O comandante da oitava divisão, conforme nossas descobertas, se negou a cumprir essa ordem e Zúñiga o ameaçou de ser destituído do cargo", afirmou o ministro em uma entrevista a uma rádio local, conforme reportado pelo jornal La Razón.
Del Castillo enfatizou que se o militar de patente inferior tivesse acatado a ordem, poderia ter resultado em perdas significativas de vidas. Segundo Arce, 14 civis foram baleados por soldados durante o incidente.
O ministro também mencionou que a insurgência estava sendo planejada desde maio, com Zúñiga se reunindo recentemente tanto com militares da reserva quanto em serviço, além de civis. Ele detalhou que os líderes do movimento chegaram a oferecer cursos para instruir os participantes sobre operações com tanques em áreas urbanas.
Na quarta-feira passada (26), uma tentativa de golpe chocou os bolivianos, com militares rebeldes cercando a Praça Murillo, na capital, durante várias horas. Durante o episódio, avançaram contra o Palácio Presidencial com um veículo blindado do Exército e conseguiram invadir o edifício.
Zúñiga, ao ser detido, alegou que a tentativa de golpe foi encomendada pelo próprio presidente, acusação negada veementemente por Arce e seu governo. O presidente classificou as alegações como parte de uma estratégia política de seu rival Evo Morales, com quem disputa o controle do partido MAS para as eleições presidenciais de 2025.
Zúñiga, junto com dois outros militares suspeitos de liderar o levante, enfrenta acusações graves de terrorismo e rebelião armada, com possibilidade de até 20 anos de prisão, segundo o Ministério Público. Além deles, outros 18 militares ativos e aposentados, além de civis, foram detidos no contexto da tentativa de golpe.
A política boliviana tem sido marcada por tumultos desde 2019, quando alegações de fraude nas eleições levaram a protestos em massa, forçando Evo Morales a renunciar e buscar refúgio no México. Ele retornou ao país em 2020, após a eleição de Arce.

