Empresários do setor de navegação, ligados à Abani (Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior), realizaram uma reunião na capital federal, no Ministério das Relações Exteriores, para discutir temas cruciais relacionados à Hidrovia Paraguai-Paraná. O destaque foi a controversa cobrança de pedágio imposta pelo governo argentino, uma questão que impacta diretamente a competitividade das empresas brasileiras.
Jaime Verruck, secretário da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), explicou que o governo brasileiro já havia solicitado à Argentina que interrompesse a cobrança indevida do pedágio. No entanto, essa solicitação não foi atendida até o momento. Verruck salientou que essa cobrança prejudica as exportações e reduz a competitividade das empresas brasileiras.
Os representantes brasileiros no Comitê Intergovernamental da Hidrovia Paraguai-Paraná estão unidos na visão de que a decisão de cobrar pedágio não pode ser tomada unilateralmente pela Argentina. Eles enfatizam a importância de a Argentina cumprir o tratado da hidrovia. "O pedágio pode até ser considerado, mas deve ser avaliado pelos países envolvidos, não podendo ser uma decisão unilateral", afirmou Verruck.
A comitiva de empresários também pediu um maior envolvimento do governo brasileiro no acordo intergovernamental da Hidrovia do Paraguai-Paraná, visando à defesa dos interesses das empresas brasileiras.
Adalberto Tokarski, consultor da J&F e ex-diretor-geral da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), ressaltou os desafios naturais enfrentados na navegação no Rio Paraguai. Ele alertou que, se os governos impuserem mais restrições, incluindo medidas unilaterais, o ambiente institucional se deteriorará, aumentando o custo do transporte e prejudicando a competitividade dos produtos brasileiros.
Durante a reunião, representantes do Itamaraty manifestaram preocupação com a situação e atualizaram a comitiva sobre as medidas tomadas pelo governo brasileiro para mitigar as restrições impostas pelo governo argentino. O ministro Galvão de Queiroz destacou a importância do diálogo construtivo para encontrar soluções para a controvérsia com o país vizinho, enquanto a Abani se colocou à disposição para colaborar na resolução do problema.
Além disso, a comitiva também se encontrou no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), onde discutiu o licenciamento ambiental da dragagem de manutenção do ramo norte do trecho brasileiro do Rio Paraguai, que vai de Corumbá até a foz do Rio Apa. Esse trecho não foi dragado nos últimos cinco anos. O diretor aquaviário substituto do Dnit, André Martins, informou que a diretoria está finalizando os estudos solicitados pelo IBAMA e que em breve deverá protocolar o projeto executivo da obra.
A comitiva contou com a presença de representantes da Prefeitura de Corumbá, da ADECON (Agência de Desenvolvimento Sustentável do Corredor Centro-Norte) e do Movimento Pró-Logística.


