Quinta, 30 Julho 2026

Anuncie aqui

Campo Grande

24°

Dólar Americano

Carregando...

-

Quinta, 30 Julho 2026

Geral

há 2 anos

A+ A-

Construção de Usina em praia de Fortaleza gera conflito e pode ameaçar internet no Brasil

A Praia do Futuro, um dos destinos mais apreciados por fortalezenses e turistas, esconde um embate feroz abaixo de suas águas. De um lado, está o governo do estado, que defende a construção de uma usina capaz de converter água do mar em potável para garantir o fornecimento hídrico aos cearenses. De outro, as empresas de telecomunicações temem que essa estrutura cause o rompimento dos cabos submarinos responsáveis por fornecer internet de alta velocidade ao Brasil.

Sebraetec

Fortaleza é a única cidade brasileira que recebe os cabos de fibra ótica que garantem uma conexão direta e rápida à internet proveniente da Europa. A partir da capital cearense, esses cabos se estendem até o Rio de Janeiro e São Paulo, economizando cerca de seis mil quilômetros de distância em relação à Europa. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), esses cabos são responsáveis por 99% do tráfego de dados do país. O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, destacou a importância de Fortaleza ao afirmar que "o Ceará, em especial a cidade de Fortaleza, é que garante a interconexão do Brasil com o resto do mundo."

A Anatel emitiu uma recomendação contrária à instalação do projeto da usina de dessalinização, alegando que a infraestrutura poderia colocar em risco os cabos submarinos. A interrupção desses cabos poderia resultar em um desligamento da internet em todo o país ou em uma conexão significativamente mais lenta. Essa medida suspendeu o andamento do projeto, atrasando sua conclusão em pelo menos seis meses em relação ao cronograma inicial, que previa o início das operações em 2025.

O projeto da usina de dessalinização é liderado pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e visa aumentar em 12% o fornecimento de água na Grande Fortaleza. O Consórcio Águas de Fortaleza venceu o edital para a realização do projeto, com um investimento previsto de R$ 3,2 bilhões.

Para evitar riscos aos cabos submarinos, a Cagece alterou o projeto, aumentando a distância entre os cabos e outras infraestruturas de 40 para 500 metros, contornando a área da usina. A empresa alega que, com essas mudanças, o projeto não apresenta mais riscos ao funcionamento dos cabos submarinos localizados na Praia do Futuro. As modificações no projeto custaram cerca de R$ 35 a 40 milhões.

A Cagece espera que a Anatel revise sua medida e permita a continuação do projeto, que é vital para a segurança hídrica da região. No entanto, esse embate ressalta a complexa relação entre infraestrutura hídrica e de telecomunicações em um mundo cada vez mais conectado, onde garantir ambas é essencial para o funcionamento do país.

Veja também