Com um investimento significativo, o fundo de investimentos Mubadala Capital, sediado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, está se preparando para resgatar e aumentar a produção de usinas de açúcar e álcool em Mato Grosso do Sul, que estão há anos em processo de recuperação judicial.
O Mubadala Capital promete injetar R$ 500 milhões na Atvos nos próximos meses, enquanto a própria empresa anunciou recentemente investimentos de R$ 3 bilhões em três usinas do estado nos próximos três anos. Uma das usinas-alvo para esses investimentos, visando a produção de etanol, é a usina Santa Luzia, que está localizada em Nova Alvorada do Sul, às margens da BR-267, desde 2007.
Apesar de estar em recuperação judicial desde 2019, a empresa conseguiu encerrar a última safra, de abril de 2022 a março de 2023, com lucro líquido de 128,9 milhões, como indicado no balanço divulgado recentemente. Isso marca a entrada do FIP Agroenergia no setor de etanol e açúcar no estado. No entanto, o lucro foi 41% menor do que na safra anterior, quando a empresa obteve R$ 219 milhões de lucro líquido.
Em janeiro de 2023, foi anunciado que o FIP Agroenergia assumiu o controle da Atvos para permitir que o fundo de investimento dos Emirados Árabes adquira 31,5% das ações da empresa e injete R$ 500 milhões em suas operações, principalmente na produção agrícola. Esse financiamento também visa aumentar a produção em cerca de 40%.
Na última safra, a usina processou 4 milhões de toneladas de cana, e a meta com o novo investimento é alcançar sua capacidade máxima de produção de 5,5 milhões de toneladas por ano.
De acordo com o balanço divulgado recentemente, a Atvos já começou a pagar ou parcelar boa parte das dívidas que a levaram à recuperação judicial, quando era controlada pela Odebrecht.
Outra usina controlada pela Odebrecht que agora está parcialmente nas mãos do fundo de investimentos dos Emirados Árabes é a usina Eldorado, localizada em Rio Brilhante. Ao contrário da Santa Luzia, a Eldorado encerrou o ano com prejuízo de R$ 13,4 milhões após um saldo positivo de R$ 38 milhões na safra anterior. Também está em recuperação judicial desde 2019, mas as dívidas estão sendo negociadas e pagas.
Com o novo financiamento, a expectativa é que a Eldorado opere em sua capacidade máxima nas próximas safras, processando 4,1 milhões de toneladas por ano, o que representa um aumento de 33% em comparação com a última colheita.
O novo controlador afirmou que continuará com o plano de negócios do Grupo Atvos, visando aumentar a produtividade e gerar mais sustentabilidade e valor para todos os envolvidos.
Em Mato Grosso do Sul, o conglomerado também controla a usina de Costa Rica, cujo balanço não foi publicado.


