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Negociações de reparação após rompimento de barragem no Brasil enfrentam impasses

Ministério Público de Minas Gerais e governo federal discordam sobre o motivo das dificuldades nas negociações de reparação após o rompimento da barragem da Samarco em 2015.

As negociações em torno da repactuação do processo de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco, em 2015, no Brasil, enfrentam impasses, e diferentes explicações estão sendo oferecidas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pelo governo federal.

De acordo com o MPMG, as partes envolvidas nas negociações estão aguardando uma posição da nova gestão do governo federal, que começou em janeiro deste ano. O procurador-geral de Justiça do MPMG, Jarbas Soares Júnior, afirmou que a discussão estava avançada no final do ano passado, mas foi emperrada com a mudança de governo. Ele defendeu uma resolução rápida do acordo, destacando que as pessoas afetadas pela tragédia estão sofrendo há mais de sete anos e meio.

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No entanto, a Advocacia-Geral da União (AGU) apresenta uma justificativa diferente. Segundo a AGU, o governo já apresentou claramente a sua posição nas negociações, que estão ocorrendo com base em um cronograma definido pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6). A AGU argumenta que ainda existem divergências a serem superadas entre as partes envolvidas.

A tragédia do rompimento da barragem da Samarco liberou cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos que afetaram dezenas de municípios em Minas Gerais e no Espírito Santo, causando a morte de 19 pessoas. Sete anos após o desastre, as medidas de reparação são consideradas insatisfatórias tanto por entidades que representam os atingidos quanto por representantes das instituições de Justiça e dos governos envolvidos.

O governo federal está buscando uma solução consensual para o caso, mas as discussões enfrentam desafios significativos. O procurador-geral de Justiça do MPMG destacou a importância de um acordo que envolva as empresas responsáveis pelos danos e afirmou que esperava que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderasse o processo para garantir que os recursos retornem ao meio ambiente e às pessoas afetadas.

A AGU, por sua vez, afirma que falta consenso entre as partes quanto às medidas da repactuação e à destinação dos recursos compensatórios. O governo federal defende que todo o montante seja aplicado exclusivamente na Bacia do Rio Doce, o que diverge do acordo firmado para a reparação da tragédia em Brumadinho, que beneficiou diferentes cidades do estado de Minas Gerais.

As tratativas para a reparação estão sendo conduzidas pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região, e as partes continuam discutindo questões como o manejo dos rejeitos depositados no Rio Doce e os critérios para indenizações individuais. O processo de reparação é gerido pela Fundação Renova, que enfrenta críticas quanto à sua autonomia em relação às mineradoras envolvidas.

 

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