A agência de viagens 123 Milhas enfrenta um momento desafiador, marcado por uma avalanche de processos jurídicos e reclamações em todo o Brasil, com destaque para o estado de Mato Grosso do Sul. Desde o dia 18 de agosto, quando a empresa anunciou a suspensão de pacotes e emissão de passagens promocionais para os meses entre setembro e dezembro deste ano, um total de 40 processos jurídicos foram abertos contra a agência apenas no estado sul-mato-grossense, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Escavador.
Essa crise não é isolada, refletindo-se em âmbito nacional, onde 2.331 indivíduos tomaram a medida de abrir processos contra a empresa durante o mesmo período. E essa cifra pode ainda aumentar, visto que pesquisadores envolvidos no levantamento indicaram a possibilidade de um crescimento contínuo desses números.
A situação atingiu proporções mais expressivas em algumas regiões do país. São Paulo lidera com um recorde de 563 processos abertos, seguido pelo Rio de Janeiro com 206, Rio Grande do Sul com 179, Pernambuco com 163, Bahia com 143 e Minas Gerais com 137 processos.
A justificativa apresentada pela 123 Milhas para a suspensão das vendas de pacotes e passagens promocionais aponta para "circunstâncias de mercado adversas, alheias à nossa vontade". A empresa, através de nota oficial, se comprometeu a reembolsar integralmente os pacotes de viagens cancelados na forma de vouchers. Estes vouchers serão acompanhados de uma correção monetária de 150% do CDI, superando a inflação e as taxas de mercado, possibilitando a aquisição futura de passagens, hospedagens e pacotes.
Além dos processos judiciais, o Procon de Mato Grosso do Sul também entrou em ação, registrando 15 reclamações até a última terça-feira (22). O órgão se propôs a intervir em benefício dos consumidores afetados, notificando a agência 123 Milhas para que esta estabeleça prazos e medidas a serem tomadas em relação aos clientes sul-mato-grossenses prejudicados pela suspensão das viagens e hospedagens.

